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Um xingamento em quadra virou um negócio de R$ 100 milhões no tênis

Com mais de 190 franquias comercializadas, Fast Tennis aposta em cultura e execução para sustentar crescimento

Lucas André, da Fast Tennis: “Quando vi um cliente sendo tratado daquele jeito, entendi que o problema não era o professor, era a cultura que permitia aquilo" (Divulgação/Divulgação)

Lucas André, da Fast Tennis: “Quando vi um cliente sendo tratado daquele jeito, entendi que o problema não era o professor, era a cultura que permitia aquilo" (Divulgação/Divulgação)

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 07h45.

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O mercado de atividades físicas passa por uma mudança silenciosa. Mais do que desempenho esportivo, consumidores buscam experiências sociais, bem-estar mental e ambientes acolhedores.

Esse movimento já vem pressionando modelos tradicionais, principalmente aqueles baseados em clubes fechados e pouca flexibilidade.

A Fast Tennis surgiu nesse contexto. Fundada em Belo Horizonte, a empresa opera uma rede de escolas de tênis com quadras próprias e franquias.

O modelo combina aulas agendadas, professores contratados em regime CLT e foco na experiência do aluno.

E tem se provado um modero vitorioso. Em 2024, o faturamento foi de 5 milhões de reais. Em 2025, chegou a 25 milhões. Para este ano, a ambição é do tamanho de um grande campeonato de tênis. A empresa quer multiplicar a receita em quatro, alcançando um faturamento de 100 milhões de reais, com mais de 150 unidades em operação. Hoje, são 50. 

O trabalho será dividido em duas frentes: abrir mais unidades, mas também garantir mais resultado para quem já está no negócio.

E muito da estratégia passa por uma palavra-chave: cultura.

Lucas André, um dos fundadores da Fast, recorda de um acontecimento que ficou martelnando na cabeça dele e foi fundamental para desenhar como gostaria que a Fast fosse.

Durante uma aula de tênis como amador, um dos fundadores da Fast, Lucas André presenciou um professor repreender um aluno na quadra. “Quando vi um cliente sendo tratado daquele jeito, entendi que o problema não era o professor, era a cultura que permitia aquilo”, diz. “Se o cliente está no centro só no discurso, nada muda”, afirma.

Foi quando decidiu que queria fazer algo mais humanizado. E próximo ao consumidor.

Mas o plano da empresa, fundada também por Felipe Souza e Patrick Galdino, é crescer mantendo controle operacional. Além das 50 unidades já em funcionamento, a empresa tem comercializada outras 140.  O

De gagueira e call center à liderança e empreendedorismo

Natural de Oliveira, interior de Minas, Lucas é o filho mais novo de três irmãos. Aos sete anos, já ajudava na fábrica de materiais de construção da família. Com a morte do pai, a família passou por dificuldades, e ele se mudou para Belo Horizonte aos 17 anos para estudar administração.

Morando em uma república com quatro amigos e com ajuda financeira da mãe e da avó, Lucas foi atrás do primeiro emprego. Foi reprovado no processo seletivo de um call center, mas insistiu e conseguiu uma chance no setor de televendas. Por ser gago, as ligações eram um desafio diário. “Os clientes debochavam, os colegas debochavam. Era uma vergonha”, diz.

Foi quando ele lembrou que sua avó dizia que, na cidade natal deles, havia um cantor gago que não gaguejava quando cantava. E não é que a técnica deu certo? Em pouco tempo, ele estava entre os melhores vendedores de uma equipe com mais de 500 pessoas.

Foram anos de trabalho até se tornar sócio-diretor de uma empresa de televendas, liderando mais de 300 colaboradores. O sucesso era evidente, mas a rotina de executivo começou a pesar. O esporte entrou como uma válvula de escape, e foi ali que o tênis o fisgou.

A ideia foi criando forma e após fazer o modelo e plano de negócios, chamou o ex-colega de trabalho Felipe Souza, que trabalhou com ele durante muitos anos na empresa de televendas, que topou o desafio. Felipe é hoje um dos sócios da Fast Tennis.

Como funciona a Fast Tennis

Fast Tennis oferece aulas das 6h às 22h, em um modelo de assinatura mensal a partir de R$ 199. O aluno não precisa levar raquete nem pagar matrícula. Tudo é feito pelo app (agendamento, pagamento e escolha de horário).

O sistema FunFlex une experiência (fun) e flexibilidade (flex). “O cliente escolhe o horário e joga com pessoas do mesmo nível. Criamos um ambiente acolhedor, sem julgamentos”, explica Lucas.

O resultado é um público diverso. Segundo o empreendedor, quase metade dos alunos são mulheres, e há turmas para todas as idades, a partir dos três anos. Os professores passam por treinamentos de comunicação positiva, aprendendo a valorizar o progresso individual e o prazer em jogar.

Uma decisão estratégica baseada em cultura empresarial

Antes de expandir, a empresa passou quase um ano desenhando processos.

O objetivo era criar um modelo replicável em um mercado sem referência. Segundo Lucas, as academias de tênis costumam nascer da lógica esportiva, fundadas por ex-atletas e pouco orientadas à escala.

A Fast Tennis decidiu seguir o caminho oposto. Contratou professores em regime celetista, padronizou o atendimento e estruturou uma cultura baseada na “obstinação pelo cliente”.

O episódio vivido pelo fundador virou referência interna do que não deveria ocorrer em quadra.

Para Lucas, cultura organizacional não é um projeto com data de entrega. “Ela é viva e precisa ser reforçada todos os dias”, defende. Um dos riscos, segundo ele, é crescer rápido demais e perder coerência entre discurso e prática.

Escala, franqueados e riscos do crescimento

O modelo de franquia trouxe velocidade, mas também complexidade.

Uma unidade leva cerca de oito meses entre venda, escolha do ponto e inauguração. Hoje, a rede opera quase 50 unidades, com mais de 140 em implantação resultado do ano passado, que teve como foco a expansão comercial.

Em 2026, as prioridades mudaram. Isso se reflete na agenda do fundador cerca de 70% do tempo dele está dedicado à operação: treinamento, marketing, eficiência e acompanhamento de desempenho dos franqueados.

A estratégia inclui investimento em tecnologia e automação. A rede utiliza painéis digitais de gestão e uma assistente virtual baseada em inteligência artificial para o atendimento inicial ao cliente, buscando reduzir custos e aumentar padronização.

O maior desafio segue sendo escalar sem comprometer a experiência. O tênis é um esporte caro, com limitação física de uso das quadras e baixa densidade de alunos por hora. Erros de precificação, ocupação ou gestão afetam diretamente a rentabilidade do franqueado.

Por isso, para a Fast Tennis, crescimento só faz sentido se vier acompanhado de resultado sustentável. “A gente não vende quadra. A gente vende um negócio que precisa funcionar”, afirma Lucas.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024. A análise considerou negócios com faturamento anual entre 2 milhões e 600 milhões de reais.

São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros. Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2025.

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