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'Até sempre': leia na íntegra a carta de despedida de Cristiano Ronaldo

Jogador anunciou nesta quinta-feira, 5, o fim de sua trajetória de 23 anos pela seleção portuguesa e publicou uma mensagem de agradecimento aos torcedores

Cristiano Ronaldo: jogador divulgou carta de despedida da seleção portuguesa após 23 anos representando o país. (Reprodução/Instagram)

Cristiano Ronaldo: jogador divulgou carta de despedida da seleção portuguesa após 23 anos representando o país. (Reprodução/Instagram)

Publicado em 5 de novembro de 2026 às 08h03.

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Cristiano Ronaldo publicou uma carta de despedida da seleção de Portugal nesta quinta-feira, 5, após anunciar o fim de sua trajetória de 23 anos pela equipe nacional.

Na mensagem dirigida aos portugueses, o jogador relembrou a carreira, agradeceu aos torcedores e afirmou que continuará acompanhando a seleção.

"Chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha", escreveu Ronaldo no texto divulgado junto ao anúncio de sua aposentadoria da seleção.

O jogador afirmou que a decisão de encerrar sua participação na equipe portuguesa não foi fácil. Ele também reconheceu as dificuldades enfrentadas ao longo da carreira, incluindo derrotas e momentos em que não conseguiu corresponder às expectativas dos torcedores.

"Também falhei, também sofri, também houve momentos em que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam. Mas nunca desisti", declarou.

A carta também traz agradecimentos aos companheiros de seleção, treinadores, funcionários e familiares. Ronaldo destacou ainda a importância de abrir espaço para novas gerações de jogadores portugueses.

Ao encerrar a mensagem, o atleta relembrou o início da carreira internacional, em agosto de 2003, e a relação construída com os torcedores.

"A camisa 7 fica, o orgulho de tê-la vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre em mim. Até sempre", escreveu.

Leia a carta de Cristiano Ronaldo na íntegra

"Aos portugueses,

Chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha. Mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de vesti-la, de defendê-la e de levá-la comigo para os estádios do mundo inteiro.

Hoje chegou o momento de entregá-la ao futuro.

Não foi uma decisão fácil. Há decisões que não são tomadas apenas com a cabeça, mas também com o coração. Termina uma trajetória que começou em agosto de 2003 e que mudou a minha vida para sempre.

Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi na seleção, não vejo apenas jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo pessoas.

Vejo imigrantes que, durante 90 minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida.

Porque, no fim das contas, o futebol é muito maior do que um jogo. Futebol são as pessoas.

Durante toda a minha carreira na seleção, procurei superar os meus limites. Quis vencer, quis ser o melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo mesmo. Sempre quis mais, sempre acreditei que poderíamos chegar mais longe. E dei tudo o que tinha por esta camisa.

Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei, houve derrotas que até hoje me custa recordar.

Também falhei, também sofri, também houve momentos em que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam. Mas nunca desisti. E, acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal.

Ao longo desses anos, aprendi coisas muito simples. Os gols passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam sendo quebrados. Mas há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas.

Se alguma vez fiz vocês felizes, se alguma vez um gol meu fez vocês abraçarem alguém, esquecerem uma preocupação ou sentirem orgulho do nosso país, então tudo valeu a pena.

Porque ser português também é isso. Sofremos juntos, nos levantamos juntos. Voltamos a acreditar.

Portugal sempre precisará de jovens que sonhem, de jogadores que nunca desistam, de novas gerações que acreditem que é possível chegar aonde ninguém chegou.

Porque um país que continua a criar novos heróis é um país que nunca deixa de acreditar em si mesmo.

Aos meus companheiros de seleção, quero deixar uma palavra especial. Obrigado por cada corrida, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrar em campo, por cada vitória que comemoramos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes.

Tive o privilégio de ser o capitão de vocês, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história.

A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e a tantas pessoas que trabalharam comigo ao longo desses anos, o meu obrigado.

Muitos de vocês nunca apareceram nas fotografias, mas, sem vocês, nenhuma dessas fotografias teria sido possível.

À minha família, obrigado por ter compartilhado comigo este sonho. Obrigado por compreender as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a seleção teve que ocupar um espaço que também pertencia a vocês.

Se cheguei tão longe, foi porque estivemos sempre de mãos dadas.

Aos portugueses, a todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer uma última coisa.

Há uma imagem que levarei sempre comigo: o momento em que começa o hino nacional.

Olho ao meu redor, vejo meus companheiros, vejo as arquibancadas, vejo crianças, mães, pais e avós, vejo portugueses que vêm de tão longe apenas para estar ali.

E, durante aqueles minutos, deixamos de ser diferentes. Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões.

Existe apenas uma paixão: Portugal.

É esse sentimento que levarei comigo pelo resto da vida.

Hoje termina a minha trajetória dentro de campo com a seleção nacional. Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que percorri e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal.

Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Continuarei a sofrer, a vibrar e a comemorar cada vitória de Portugal como se...

Passei a minha vida trabalhando para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo.

Obrigado por esses 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por terem me permitido viver um sonho que começou quando eu era apenas um menino na Madeira, correndo atrás de uma bola.

A camisa 7 fica, o orgulho de tê-la vestido será meu para sempre.

Portugal estará sempre em mim.

Até sempre.

Cristiano Ronaldo"

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