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Vazamento interrompe perfuração na Foz do Amazonas; IBAMA investiga

Incidente causou suspenção das operações no domingo; Petrobrás afirma que fluido foi contido e não há risco ambiental

Plataforma de petróleo: Foz do Amazonas tem potencial de 10 bilhões de barris recuperáveis (Manta Photo/Getty Images)

Plataforma de petróleo: Foz do Amazonas tem potencial de 10 bilhões de barris recuperáveis (Manta Photo/Getty Images)

Lia Rizzo
Lia Rizzo

Editora ESG

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 16h01.

Última atualização em 6 de janeiro de 2026 às 16h53.

A Petrobras suspendeu temporariamente as atividades de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas após detectar um vazamento de fluido em tubulações auxiliares. O incidente ocorreu no domingo (4) durante operações no poço Morpho, situado a aproximadamente 175 quilômetros do litoral do Amapá.

De acordo com a estatal, o vazamento foi identificado em duas linhas auxiliares que fazem a conexão entre o navio-sonda e o poço exploratório. Em nota, a empresa informou que as operações foram paralisadas para permitir a retirada das tubulações afetadas, que serão levadas à superfície para análise e reparos necessários.

"Segurança da operação está mantida"

Conforme o texto enviado pela companhia para EXAME, a situação foi imediatamente contida e isolada. "Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração", afirma a nota oficial.

Por fim, a empresa afirmou que não houve dano ao meio ambiente ou às pessoas, já que "o fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável."

As operações na Margem Equatorial começaram após liberação do Ibama em outubro de 2025, que permitiu uma primeira etapa exploratória em águas profundas na área.

A decisão gerou controvérsia entre ambientalistas, que criticam a atividade na região amazônica, e defensores da exploração, que ressaltam a importância estratégica da área.

O trabalho atual é exclusivamente de pesquisa, sem produção de óleo. A expectativa inicial era de que as sondagens durem cerca de cinco meses, período necessário para avaliar o potencial comercial da reserva através da coleta de informações geológicas.

Ibama acompanha apuração

Também em nota, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que recebeu no domingo a Comunicação Inicial de Incidente da Petrobras via Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema), canal oficial para acidentes deste tipo.

Segundo o documento, durante a circulação de fluido de perfuração do poço (fluido de perfuração de base não aquosa), foi observado indício de perda e, após inspeção, constatou-se descarga do fluido para o mar. As causas estão em apuração na área competente do Ibama, que acompanha o caso.

Fontes afirmaram para EXAME reservadamente que a causa do incidente pode estar relacionada a dando em alguma mangueira, mas que de fato não há desastre no local.

Potencial bilionário em jogo

A Margem Equatorial representa uma das maiores apostas do setor energético brasileiro para as próximas décadas. Segundo análises de especialistas, a região possui potencial de 10 bilhões de barris recuperáveis, sendo aproximadamente 6 bilhões concentrados na Foz do Amazonas.

Considerando o barril de Brent a 70 dólares e o dólar cotado em torno de 5,40 reais, o ativo bruto poderia superar 3,8 trilhões de reais. Após descontar custos operacionais e considerando margens de 50%, o Brasil teria condições de capturar mais de 2 trilhões de reais ao longo de três ou quatro décadas – montante equivalente a 16% do PIB atual do país.

A urgência para desenvolver a região também tem componente fiscal. A produção nacional deve entrar em declínio entre 2030 e 2035, quando os campos do pré-sal começarem a perder capacidade.

Com a Margem Equatorial em operação, projeções indicam que a receita petrolífera poderia se estabilizar entre 2,5% e 3% do PIB, gerando de 250 bilhões a 350 bilhões de reais por ano.

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