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USP e Ministério do Meio Ambiente lançam maior mapeamento nacional de educação climática nas escolas

Em dois anos, iniciativa identificou 203 organizações pelo Brasil, formou 14,5 mil educadores e jogou luz sobre uma lacuna histórica no ensino brasileiro

Em 2025, a UNICEF transformou uma sala de aula em estufa na Esplanada dos Ministérios em Brasília para alertar sobre o impacto das mudanças climáticas (UNICEF)

Em 2025, a UNICEF transformou uma sala de aula em estufa na Esplanada dos Ministérios em Brasília para alertar sobre o impacto das mudanças climáticas (UNICEF)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 27 de maio de 2026 às 16h00.

Das enchentes no Rio Grande do Sul a seca severa na Amazônia, pelo menos 1,17 milhão de estudantes brasileiros tiveram as aulas interrompidas por eventos climáticos extremos nos últimos anos.

Em 2025, o cenário não melhorou: mais de 2,5 milhões de crianças estudam em escolas situadas em áreas pelo menos 3°C mais quentes do que as cidades onde vivem, e cerca de 15 milhões de jovens do ensino médio tem aulas em locais com baixa ou mínima resiliência a inundações. 

A crise climática já chegou às salas de aula e o sistema educacional não está preparado. Segundo dados do último Censo Escolar, 1/3 das 179 mil escolas públicas e privadas do Brasil não desenvolve nenhuma atividade relacionada a meio ambiente ou mudanças climáticas.

É exatamente essa lacuna que uma parceria entre a USP e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) veio preencher. O ponto de partida foi uma pergunta: como a comunicação pode qualificar o que se ensina sobre clima nas escolas?

A resposta, construída ao longo de dois anos, resultou no maior mapeamento de iniciativas de educação climática em todo o país e um curso gratuito que já formou 14,5 mil educadores.

O impacto chegou aos índices de alfabetização: o percentual de crianças alfabetizadas no estado caiu 18,7 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Na Amazônia, a seca tornou os rios inavegáveis e impediu que alunos, professores e suprimentos chegassem às escolas.

Os frutos da parceria 

O curso "Educomunicação e Clima: precisamos conversar sobre emergência climática nas escolas", disponível gratuitamente na plataforma Avamec do Ministério da Educação, foi lançado em dezembro de 2025.

A formação incentiva a leitura crítica das mídias, a produção colaborativa de conteúdos e práticas participativas de gestão climática e também apoia a elaboração de Planos de Ação Climática nos territórios.

Já o mapeamento colaborativo identificou 203 organizações atuantes em educação ambiental climática em todas as unidades da federação, consolidando um banco de dados com instituições, entidades e coletivos de educomunicação.

As informações estão disponíveis para consulta pública em mapa interativo no Sistema Brasileiro de Monitoramento e Avaliação em Educação Ambiental (MonitoraEA).

O projeto também gerou produção científica: 18 artigos em revistas nacionais, três em periódicos internacionais e duas coletâneas publicadas.

Educação climática como política pública

A crise climática reforça a urgência da educação ambiental. Em 2025, o Brasil passou a integrar uma iniciativa pioneira de inclusão da educação sobre oceanos no currículo escolar, o chamado "currículo azul", reconhecendo o oceano como regulador climático e fonte essencial de vida.

Para o diretor do Departamento de Educação Ambiental do MMA, Marcos Sorrentino, as práticas educomunicativas podem ajudar comunidades escolares a assimilar o conhecimento sobre a emergência climática de forma crítica e criativa, além de promover ações locais e fortalecer o engajamento e conscientização.

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