Patrocínio:
Parceiro institucional:
Repórter
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 16h32.
Última atualização em 8 de janeiro de 2026 às 17h07.
O secretário da ONU para o clima, Simon Stiell, classificou nesta quinta-feira, 8, como um "gol contra colossal" a decisão do presidente americano, Donald Trump, de retirar os Estados Unidos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês). Segundo ele, a medida compromete a segurança e a prosperidade do país.
A saída do tratado integra uma lista de 66 organizações e acordos internacionais dos quais os EUA devem se desligar. A ordem foi formalizada na quarta-feira, 7, por meio de um memorando presidencial, que justifica a decisão com o argumento de que os compromissos assumidos seriam "contrários aos interesses dos Estados Unidos".
A Convenção da ONU sobre Mudança do Clima sustenta acordos como o Acordo de Paris e orienta a ação internacional frente às mudanças climáticas. A exclusão do país desse tratado o coloca como o único membro da ONU fora do pacto.
Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, declarou que a escolha "apenas prejudicará a economia, o emprego e o nível de vida dos Estados Unidos". Afirmou ainda que os efeitos da decisão "deixarão os Estados Unidos menos seguros e menos prósperos".
Críticos do movimento apontam que a decisão isola Washington no cenário global. Para David Widawsky, diretor do World Resources Institute, trata-se de "um erro estratégico que desperdiça a vantagem americana sem obter nada em troca". Segundo ele, abandonar a convenção de 30 anos "exclui completamente os Estados Unidos do âmbito internacional".
A vice-presidente-executiva da União Europeia para Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, afirmou que "a Casa Branca não se importa com o meio ambiente, a saúde ou o sofrimento das pessoas". Segundo ela, "paz, justiça, cooperação ou prosperidade não estão entre suas prioridades".
O comissário europeu para ação climática, Wopke Hoekstra, também se manifestou: "A decisão da maior economia do mundo e do segundo maior emissor de gases de efeito estufa de se retirar da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) é lamentável e infeliz". Em publicação no LinkedIn, ele acrescentou que a Europa continuará "apoiando a pesquisa climática internacional" e mantendo os compromissos com a cooperação global.
A medida anunciada por Trump se estende a outras instituições ligadas à ONU, como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), a ONU Oceanos e a ONU Água.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, crítico da atual gestão republicana, afirmou: "Nosso presidente sem juízo está cedendo a liderança dos Estados Unidos no cenário mundial e enfraquecendo nossa capacidade de competir na economia do futuro, criando um vácuo de liderança que a China já está explorando".
A China, hoje o maior emissor de gases de efeito estufa, tem investido fortemente em fontes renováveis, ampliando sua influência geopolítica no tema.
Desde seu retorno ao cargo, Trump retomou a estratégia "America First", pautada por cortes de financiamento internacional e distanciamento de acordos multilaterais. Entre as ações, estão a saída do Acordo de Paris, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o fim da colaboração com a Organização Mundial da Saúde.
A redução da ajuda externa também afetou diretamente programas humanitários da ONU, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA), que precisaram reestruturar suas operações em campo.
O Departamento do Tesouro dos EUA confirmou, nesta quinta-feira, a retirada do país do Fundo Verde para o Clima, principal fundo multilateral voltado à mitigação dos efeitos climáticos. Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, "nossa nação não financiará mais organizações radicais como o Fundo Verde para o Clima, cujos objetivos são contrários ao fato de que energia acessível e confiável é fundamental para o crescimento econômico e a redução da pobreza".
(Com informações da agência AFP)