ESG

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

‘Super-ricos’ esgotam cota de carbono para 2026 em apenas 3 dias; entenda

Relatório defende taxação de fortunas, combustíveis fósseis e restrições ao luxo intensivo em carbono

A Oxfam defende que políticas tributárias são parte essencial do enfrentamento, como aumento de impostos sobre renda e patrimônio de bilionários (Alexandros Maragos/Getty Images)

A Oxfam defende que políticas tributárias são parte essencial do enfrentamento, como aumento de impostos sobre renda e patrimônio de bilionários (Alexandros Maragos/Getty Images)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 14h29.

Última atualização em 12 de janeiro de 2026 às 14h30.

Apenas três dias: esse foi o tempo gasto pelo 0,1% mais rico da população mundial para esgotar sua cota de emissões de carbono para todo o ano de 2026.

Isso significa que, desde o dia 3 de janeiro, tudo que for emitido por esse grupo já ultrapassou o limite estipulado por cientistas para conter o aquecimento global em até 1,5 °C.

A informação é de um estudo da organização internacional Oxfam, que avalia ainda que, para o 1% mais abastado, esse marco foi atingido poucos dias depois, em 10 de janeiro, um sábado.

De acordo com a pesquisa, para permanecer dentro do limite justo, esse segmento da população deveria reduzir a poluição que gera em 97% até 2030.

Por que os mais ricos poluem mais?

Segundo o levantamento, o principal motivo está no estilo de vida, que inclui viagens em carros e aviões particulares, consumo de alimentos de alta emissão de carbono, como a carne, e padrões de consumo em geral.

Outro fator relevante é a carteira de investimentos. O estudo aponta que cada bilionário financia empresas que devem produzir cerca de 1,9 milhão de toneladas de CO₂ por ano.

Nafkote Dabi, líder de política climática da Oxfam, afirma que enfrentar as emissões dessa parcela da população é também uma estratégia para preservar o planeta e buscar justiça climática. “Repetidamente, a pesquisa mostra que os governos têm um caminho muito claro e simples para reduzir drasticamente as emissões de carbono e combater a desigualdade: mirar nos poluidores mais ricos”, explica.

Consequência das emissões desiguais

A contribuição desproporcional dos mais ricos resulta, segundo a Oxfam, na perda de recursos naturais e no aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e ondas de calor.

A estimativa é que países de baixa e média renda sofram danos somados de até US$ 44 trilhões até 2050. As emissões do 1% mais rico serão responsáveis por mais de 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o fim deste século.

Como resolver?

A Oxfam defende que políticas tributárias são parte essencial do enfrentamento. Entre as medidas sugeridas estão o aumento de impostos sobre renda e patrimônio dos bilionários, além da taxação de lucros de petroleiras e companhias de combustíveis fósseis.

A proposta é aplicar impostos sobre as 585 empresas de petróleo, gás e carvão no mundo, o que poderia gerar uma arrecadação de até US$ 400 bilhões em seu primeiro ano — valor equivalente aos custos enfrentados pelo Sul Global com os impactos climáticos.

A organização também sugere proibir itens de luxo com alta intensidade de carbono, como iates e jatos particulares. De acordo com o estudo, um europeu super-rico que utiliza essas formas de transporte durante uma semana gera uma pegada de carbono equivalente à de uma vida inteira de uma pessoa entre o 1% mais pobre do planeta.

Acompanhe tudo sobre:Emissões de CO2CarbonoCombustíveis

Mais de ESG

Destaque mundial: ONU escolhe obra de Eduardo Kobra para selo histórico

NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS: como o Banco da Amazônia quer atrair milhões em capital sustentável

Itaú abre inscrições para programa de permanência universitária de alunos negros

Tramontina expande linha fabricada com resíduos plásticos do litoral e oceano