ESG

Patrocínio:

espro_fa64bd

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Resiliência urbana depende de antecipar riscos e acelerar a recuperação com ação integrada

Na construção de cidades verdadeiramente resilientes, o seguro não é acessório; ele transforma incertezas em previsibilidade, perdas em recuperação e vulnerabilidades em capacidade de resposta.

Junto do governo, das empresas e da sociedade, setor de seguros deve ser visto como um agente estratégico da adaptação climática e da sustentabilidade urbana. (Freepik)

Junto do governo, das empresas e da sociedade, setor de seguros deve ser visto como um agente estratégico da adaptação climática e da sustentabilidade urbana. (Freepik)

Publicado em 17 de agosto de 2025 às 11h21.

Tudo sobremobilidade-urbana
Saiba mais

* Por Fábio Morita

Urbanização acelerada, mudanças climáticas, fenômenos extremos: os desafios são muitos e as cidades estão no epicentro de quase todos eles.

Os eventos que acompanhamos em diversas regiões do Brasil e do mundo, como as enchentes devastadoras, os deslizamentos, os incêndios e os apagões, nos dão a dimensão de como os centros urbanos passam por crises sistêmicas e são vulneráveis a ocorrências repentinas.

Com isso, construir cidades resilientes passou de conceito técnico para uma urgência humanitária, econômica e social. Algumas iniciativas mostram que há um caminho sendo pavimentado.

Lançado em 2020, o programa Making Cities Resilient 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU), reúne mais de 1,8 mil cidades, de 95 países, que buscam se tornar mais resilientes a desastres naturais e riscos urbanos pelos próximos cinco anos.

Entre eles, há mais de 350 municípios brasileiros, de Norte a Sul do país, que, com o apoio de especialistas, seguem no processo de diagnosticar e compreender os seus riscos, desenvolver estratégias e implementar ações para tornarem-se referência em resiliência urbana.

Ações como essa representam um passo importante, mas a complexidade dos desafios urbanos também exige uma articulação coordenada.

Um estudo publicado pela consultoria Deloitte, em 2024, aponta que 81% dos gestores públicos ao redor do mundo estão priorizando parcerias estratégicas com o setor privado - incluindo empresas de tecnologia e instituições financeiras - como um meio para enfrentar as questões das cidades no século XXI.

Neste contexto, um fator deve ganhar protagonismo: a capacidade de antecipar riscos, proteger pessoas e se reconstruir com rapidez. E o seguro tem um papel crucial nessa equação.

Sem seguro, não há cidade resiliente. Isso porque o mercado segurador combina proteção financeira com soluções de prevenção que ajudam a evitar perdas e a fortalecer a capacidade de resposta dos municípios.

Para isso, o setor tem investido no aprimoramento de modelos preditivos e na incorporação de tecnologias avançadas para enfrentar os riscos crescentes associados às mudanças climáticas.

Combinando modelos estatísticos tradicionais e específicos para eventos naturais em larga escala, as seguradoras utilizam variáveis geodemográficas, topográficas e climáticas para estimar perdas causadas por fenômenos como enchentes, vendavais e ciclones.

O uso de ferramentas como geoprocessamento, inteligência artificial, machine learning e big data permite, ainda, mapear com precisão as áreas mais vulneráveis, personalizar a avaliação dos riscos e acelerar a resposta a desastres.

Além disso, as políticas de precificação e subscrição estão cada vez mais sofisticadas e consideram fatores que estimulam comportamentos mais resilientes dos próprios segurados, garantindo uma precificação mais justa e alinhada ao risco real.

No Brasil, também contamos com o fato de que as apólices de seguros têm, em sua maioria, vigência anual, o que permite às seguradoras incorporar dados mais recentes em suas avaliações e realizar ajustes necessários tanto na precificação quanto nas coberturas e na aceitação de riscos.

Na construção de cidades verdadeiramente resilientes, o seguro não é acessório. Ele transforma incertezas em previsibilidade, perdas em recuperação e vulnerabilidades em capacidade de resposta.

Junto do governo, das empresas e da sociedade, o setor deve ser visto como um agente estratégico da adaptação climática e da sustentabilidade urbana.

A COP30, que acontecerá no Brasil em novembro, será uma grande oportunidade de reconhecer esse papel e ampliar essa agenda. Porque onde há resiliência, há seguro. E, onde há seguro, há futuro.

* Fábio Morita é diretor executivo de Automóvel, Massificados e Vida da Allianz Seguros

Acompanhe tudo sobre:mobilidade-urbanaESGSegurosSustentabilidade

Mais de ESG

Como um iceberg matou 70% dos filhotes de uma colônia de pinguins na Antártica

Os oceanos estão se tornando uma gigante 'bateria' de calor, afirma estudo

Abertas as inscrições para Melhores do ESG da EXAME

Fortuna de bilionários cresce três vezes mais rápido em 2025, aponta Oxfam