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Reconstrução e resiliência climática: as lições do RegeneraRS

Como a mobilização coletiva transformou R$ 200 milhões em esperança para 85 mil vidas no Rio Grande do Sul

Enchentes no RS expôs fragilidades estruturais acumuladas ao longo de décadas (Leandro Fonseca/Exame)

Enchentes no RS expôs fragilidades estruturais acumuladas ao longo de décadas (Leandro Fonseca/Exame)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 1 de novembro de 2025 às 10h00.

*Por Marcel Fukayama e Beatriz Johannpete

O Rio Grande do Sul viveu, em 2024, a maior tragédia climática de sua história, e uma das mais graves já registradas no Brasil.

Chuvas intensas, que em algumas regiões chegaram a triplicar a média histórica, deixaram 2,4 milhões de pessoas afetadas, 581 mil desalojadas e um rastro de prejuízos superiores a R$ 88 bilhões.

A devastação do evento expôs fragilidades estruturais acumuladas ao longo de décadas em áreas como educação, habitação e planejamento urbano.

Foi nesse cenário que nasceu o RegeneraRS, uma resposta que articula empresas, pessoas e poder público na missão de mobilizar capital social e financeiro para recuperação e regeneração do estado.

Desde o início, a iniciativa buscou estruturar um modelo inovador de mobilização de recursos, inspirado na lógica catalítica. Em termos práticos, isso significou combinar diferentes fontes de capital (filantrópico, privado e público) de modo a ampliar exponencialmente o alcance das ações.

O resultado foi expressivo: cada real investido pelo fundo atraiu em média R$18,88 adicionais só no primeiro ano, alcançando até agora mais de R$ 200 milhões mobilizados e com potencial de superar R$400 milhões até 2026.

Essa lógica catalítica permitiu equilibrar duas dimensões essenciais. De um lado, a urgência da resposta imediata, para apoiar escolas, famílias desabrigadas e empreendedores em situação crítica.

De outro, a visão de longo prazo, buscando projetos estruturantes que deixem legados que fortaleçam a capacidade do estado em enfrentar crises futuras.

Enquanto 70% dos recursos vêm sendo destinados a soluções sistêmicas e replicáveis, outros 30% apoiam iniciativas comunitárias e inovadoras.

O primeiro ano de atuação mostra o alcance desse esforço coletivo. Foram 23 projetos apoiados, beneficiando mais de 85 mil vidas diretamente e cerca de 770 mil indiretamente, por meio de projetos que apoiaram o Estado na revisão e construção de políticas públicas.

A retomada de 100% das escolas estaduais em apenas três meses após a tragédia só foi possível graças a parcerias como o projeto Refundar Educação, que deu suporte técnico à Secretaria Estadual de Educação, reorganizou processos e ajudou a construir a Agenda 2025-2035 para a rede pública.

No campo da habitação, iniciativas como o Legado Habitação, do União BR, e o programa 2x1 Sinduscon têm como objetivo a entrega de 169 casas, além de impulsionar a formação de mão de obra local.

Nas cidades, projetos como o Favela 3D, que acontece em Eldorado do Sul, demonstram que regenerar não é apenas reconstruir fisicamente, mas integrar habitação, mobilidade, renda e cidadania no planejamento de cidades mais resilientes.

Para os pequenos negócios, um dos setores mais atingidos, o crédito acessível do Estímulo Retomada, em parceria com o Sebrae RS, já alcançou R$41 milhões, com meta de chegar a R$69 milhões até o fim de 2025.

Esses avanços não foram conquistados apenas pelo capital mobilizado, mas pela articulação multissetorial que sustenta o RegeneraRS. Estar na linha de frente da reconstrução significou compreender, diariamente, que nenhum setor é capaz de responder sozinho a uma tragédia dessa magnitude.

O aprendizado central é que a cooperação gera velocidade, legitimidade e engajamento social. Reunir empresas, sociedade civil e um time de especialistas em um mesmo processo decisório criou não só corresponsabilidade, mas também um senso de pertencimento coletivo.

Foi essa governança multistakeholder, transparente e participativa, que garantiu credibilidade às escolhas feitas e abriu caminho para novas parcerias.

Ainda há, porém, desafios gigantescos. Cerca de 20 mil famílias seguem aguardando um lar definitivo, muitos negócios não retomaram plenamente suas atividades e as cidades precisam de investimentos robustos e de Soluções baseadas na Natureza para estarem preparadas para eventos climáticos cada vez mais frequentes.

A crise revelou déficits históricos que exigem políticas públicas consistentes, inovação social e compromisso coletivo.

Para o futuro, o RegeneraRS pretende deixar como legado o fortalecimento da capacidade da sociedade civil em acessar recursos e implementar soluções inovadoras, ampliar a mobilização de capital para projetos transformadores e consolidar protocolos de governança multissetorial que já se mostraram eficazes no primeiro ano.

Ao sistematizar aprendizados e seguir apoiando a reconstrução de territórios vulneráveis, buscamos inspirar novos modelos de cooperação capazes de acelerar respostas e gerar impactos duradouros.

A experiência no Rio Grande do Sul reforça uma constatação que transcende fronteiras: a adaptação climática precisa ser prioridade em todos os territórios. Os extremos climáticos, cada vez mais recorrentes, impõem a necessidade de políticas públicas robustas, investimentos em habitação resiliente, inovação em infraestrutura urbana e mecanismos financeiros que permitam respostas rápidas e escaláveis.

Essa agenda ultrapassa os limites de um estado ou de uma tragédia; ela aponta para a necessidade de preparar comunidades no Brasil e no mundo para enfrentar um futuro em que prevenir, adaptar e regenerar sejam práticas permanentes.

*Marcel Fukayama é cofundador da Din4mo e membro do Comitê Executivo do RegeneraRS e Beatriz Johannpeter é diretora do Instituto Helda Gerdau e integrante do Conselho Deliberativo do RegeneraRS.

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