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Presidente da COP31, Austrália avança em casa e supera 50% de energias renováveis

Corrida pela transição energética derruba dependência do carvão, reduz preços da eletricidade e coloca o país em teste de credibilidade rumo às negociações climáticas

No período, a geração eólica cresceu 29%, a solar em larga escala avançou 15% e a descarga de baterias quase triplicou (Getty Images)

No período, a geração eólica cresceu 29%, a solar em larga escala avançou 15% e a descarga de baterias quase triplicou (Getty Images)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 17h30.

Última atualização em 4 de fevereiro de 2026 às 17h39.

Pela primeira vez, a Austrália ultrapassou a marca de 50% de participação de energias renováveis e sistemas de armazenamento em sua matriz elétrica. O feito, registrado no quarto trimestre de 2025, marca um ponto de inflexão na trajetória energética de um país historicamente dependente do carvão.

Presidente da COP31 após acordo com a Turquia como anfitriã, o governo australiano entra nos holofotes do combate à crise climática enquanto o mundo cobra por mais ambição.

Paralelamente, a presidência brasileira da COP30 corre para entregar seu "roadmap" ou "mapa do caminho" rumo à conferência do fim dos combustíveis fósseis na Colômbia, em abril.

Dados divulgados pelo Operador do Mercado de Energia da Austrália (AEMO) mostram que o crescimento acelerado da geração eólica, solar e do uso de baterias levou a níveis historicamente baixos de produção a carvão, além de reduzir o uso de gás ao menor patamar desde o ano 2000.

O avanço também teve impacto direto sobre os preços: o valor médio da eletricidade no mercado livre caiu quase pela metade em relação ao mesmo período do ano anterior.

No período, a geração eólica cresceu 29%, a solar em larga escala avançou 15% e a descarga de baterias quase triplicou, alcançando uma média de 268 megawatts. Desde o fim de 2024, cerca de 3,8 gigawatts de nova capacidade de armazenamento foram incorporados ao sistema.

Violette Mouchaileh, diretora-executiva de Políticas e Assuntos Corporativos da AEMO, destacou que o resultado evidencia que a expansão das fontes limpas reduz a dependência de usinas fósseis e exerce pressão estrutural de queda sobre os preços da eletricidade.

A geração distribuída também teve papel decisivo. A capacidade instalada de energia solar em telhados atingiu um novo recorde trimestral, com 4.407 megawatts adicionados, uma alta de 8,7%. O crescimento ajudou a reduzir a demanda durante o dia e a ampliar o carregamento das baterias, fortalecendo a segurança energética. 

No mesmo intervalo, a geração a carvão caiu para o menor nível trimestral já registrado, com retração de 4,6% na comparação anual. A produção a gás recuou ainda mais: queda de 27%, atingindo o menor patamar desde o quarto trimestre de 2000.

Para o governo australiano, os números confirmam que a transição energética já está em curso. “A Austrália tem os melhores ventos e o melhor sol para alimentar nosso futuro — e isso já está funcionando”, afirmou o ministro do Clima e da Energia, Chris Bowen.

O ministro complementou que após anos de estagnação, o país passa por uma reconstrução da rede elétrica voltada a garantir energia mais barata e confiável.

“A queda dos preços no atacado é uma boa notícia e nós estamos trabalhando para garantir que isso chegue também às tarifas ao consumidor", disse.

O desempenho doméstico contrasta com a postura adotada historicamente pela Austrália nas negociações climáticas internacionais.

Durante anos, o país ficou associado à defesa da indústria do carvão e à resistência a compromissos climáticos mais ambiciosos.

A mudança de governo em 2025 marcou uma mudança: em setembro, a capital Canberra apresentou uma nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) que prevê o abandono progressivo do combustível fóssil e a redução de 62% a 70% das emissões abaixo dos níveis de 2005 até 2035.

++ Leia mais: China, líder em energias renováveis, abre 85 usinas a carvão em 2026

Agora, como coanfitriã da COP31, a Austrália passa a ser observada não apenas pelo discurso, mas também pelo que entrega internamente.

Para observadores do processo multilateral, os resultados recentes reforçam expectativas de uma atuação mais ambiciosa do país na co-presidência da conferência, sobretudo na condução técnica das negociações e na defesa de metas mais robustas.

“O mercado elétrico australiano entrou em uma nova era de segurança energética”, avaliou Jackie Trad, diretora-executiva do Clean Energy Council. Segundo a especialista, as renováveis demonstraram resiliência durante o pico de demanda do verão, quando o consumo chegou a 40 gigawatts.

“As fontes limpas forneceram até 77% da energia no momento de maior consumo e mantiveram o fornecimento quando, no passado, esperaríamos apagões generalizados", explicou.

Com a COP31 no horizonte, a experiência australiana passa a ser vista como um teste concreto de transição energética em larga escala e um termômetro da credibilidade que o país levará à mesa de negociações climáticas globais em novembro.

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