ESG

Patrocínio:

espro_fa64bd

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Povos indígenas da Amazônia se articulam e exigem papel ativo na COP30

Comunidades amazônicas estão se organizando em nível regional, nacional e internacional para chegar com uma posição unificada ao evento

Indígenas durante protesto contra exploração de petróleo na Margem Equatorial, no Rio de Janeiro, em junho (Antonio Lacerda/EFE)

Indígenas durante protesto contra exploração de petróleo na Margem Equatorial, no Rio de Janeiro, em junho (Antonio Lacerda/EFE)

EFE
EFE

Agência de Notícias

Publicado em 28 de agosto de 2025 às 11h51.

Última atualização em 25 de setembro de 2025 às 11h51.

Com a proximidade da cúpula do clima da ONU que será realizada em Belém, a COP30, os povos indígenas da Amazônia exigem ser ouvidos nas negociações em um momento em que projetos legislativos no Brasil ameaçam seus territórios, já pressionados por invasões, mineração ilegal, madeireiros e narcotráfico.

"A floresta só existe graças aos povos indígenas", afirmou a líder do povo Desana, Janete Alves, de São Gabriel da Cachoeira (AM).

Em entrevista à Agência EFE, ela explicou que as comunidades amazônicas estão se organizando em nível regional, nacional e internacional para chegar com uma posição unificada à COP30, em novembro, na capital paraense.

Após enfrentar no ano passado a pior seca e temporada de incêndios desde 2010 e sentir uma crescente pressão sobre suas terras, relacionadas a interesses econômicos, os povos originários reiteram a importância de seu papel para manter as florestas em pé.

"Estamos nos articulando com outros povos do Brasil e da Amazônia, porque não vai ser fácil. Queremos mostrar que estamos sendo assediados e que defender a floresta é defender a vida", destacou Alves.

As organizações indígenas advertem que sua participação não pode ser meramente simbólica, e, embora não tenham direito a voto nas discussões, exigem que suas propostas sejam consideradas nas decisões globais sobre o clima.

"Guardiões da floresta"

Dados da plataforma MapBiomas indicam que, entre 1985 e 2023, apenas 1,2% da vegetação nativa em territórios indígenas foi destruída, contra 19,9% registrados em áreas privadas.

Apesar dos esforços, os povos originários enfrentam a ameaça constante de garimpeiros ilegais, madeireiros e narcotraficantes que avançam sobre seus territórios, muitas vezes sem que o Estado consiga contê-los. A isso se somam disputas por terras com grandes fazendeiros devido à falta de regularização de uma boa parte dos territórios indígenas.

Segundo dados oficiais, existem 632 territórios indígenas no Brasil, dos quais 464 estão homologados e regularizados, mas 158 encontram-se apenas em processo de estudo — uma etapa que pode se estender por até 40 anos, de acordo com o Instituto Socioambiental (ISA).

Em âmbito legislativo, a pressão aumenta com projetos de lei que buscam abrir as terras indígenas à mineração e à exploração de gás, além de permitir a realização de obras de infraestrutura "de interesse nacional", entre elas usinas hidrelétricas.

Alves lembrou que já existem exemplos devastadores, como o do povo yanomami, em cujo território o mercúrio da mineração ilegal envenenou rios e solos, disseminando doenças, fome e morte.

A líder reiterou que falta apoio do governo para a defesa de seus territórios, já que na região do Rio Negro só são recebidos recursos de ONGs internacionais, usados em projetos.

"Esta é uma região grande, que precisa de cuidado, de presença. Não tem sido fácil", advertiu.

Base do futuro

O trabalho dos povos originários na conservação da Amazônia é reconhecido por organizações que atuam na proteção do bioma.

A coordenadora de Articulação Territorial do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Patricia Machado, atribui esse resultado ao modo de vida tradicional dessas comunidades.

"Eles veem a floresta como algo que deve estar ali para as próximas gerações", explicou à EFE.

No entanto, Machado ressaltou que falta um reconhecimento mais amplo dos serviços ambientais que os indígenas prestam na Amazônia, já que "seu trabalho impacta a todos" e não apenas quem vive na floresta.

Entre os programas coordenados pela ONG brasileira fundada há 30 anos está o Origens Brasil, uma rede que promove "relações comerciais éticas" entre empresas e comunidades indígenas na Amazônia, e que em 2024 mobilizou mais de R$ 8,6 milhões em transações de produtos como castanha-do-Pará, borracha, cumaru e peças de artesanato.

Atualmente, há 4.800 produtores registrados na rede, que representam 88 organizações e se relacionam com 41 empresas.

A gestão sustentável das florestas e a cooperação com comunidades locais serão um dos temas centrais do III Fórum Latino-Americano de Economia Verde, organizado pela Agência EFE em São Paulo no próximo dia 4 de setembro.

O encontro reunirá autoridades e especialistas para debater sobre a crise climática e conta com o patrocínio da ApexBrasil, Norte Energia e Lots Group, assim como o apoio do IBMEC, Observatório do Clima e Imaflora.

Acompanhe tudo sobre:IndígenasCOP30Amazônia

Mais de ESG

Como um iceberg matou 70% dos filhotes de uma colônia de pinguins na Antártica

Os oceanos estão se tornando uma gigante 'bateria' de calor, afirma estudo

Abertas as inscrições para Melhores do ESG da EXAME

Fortuna de bilionários cresce três vezes mais rápido em 2025, aponta Oxfam