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Por que há tantas comercializadoras de energia elétrica com problemas?

Mudanças estruturais na oferta tornaram os preços voláteis

Energia elétrica: volatilidade do PLD pressiona comercializadoras no Brasil.

Energia elétrica: volatilidade do PLD pressiona comercializadoras no Brasil.

Publicado em 14 de maio de 2026 às 16h00.

O noticiário recente evidencia dificuldades financeiras enfrentadas por algumas empresas comercializadoras de energia elétrica no Brasil. Comercializadores de energia elétrica são agentes que compram e vendem energia elétrica, permitindo, dentre outros, adaptar o perfil de produção de geradores às necessidades dos consumidores.

De uma forma simplificada, as comercializadoras operam através de contratos de compra e de venda de energia, com preços de compra inferiores aos de venda. Se operarem “a descoberto” (ou seja, sem contratos de compra), elas ficarão sujeitas ao preço no mercado de curto prazo, que no Brasil é o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

O aumento dos problemas nas comercializadoras tem origem em grande parte nas variações do PLD, cuja intensidade e amplitude têm sido inéditas no Sistema Interligado Nacional (SIN). Inéditas não significa inesperadas, pois essas variações sempre existiram em outros sistemas. Elas não existiam no SIN porque ele tinha uma estrutura de oferta peculiar, com base em usinas hidroelétricas com grandes reservatórios, permitindo modular a oferta para atender a demanda em qualquer hora do dia sem variação relevante do PLD.

O aumento de volatilidade dos preços ocorreu em praticamente todos os países, à medida em que as fontes eólica, e, principalmente, solar, passaram a constituir parcela importante da oferta, provocando afundamento de preços em momentos de grande oferta de energia (especialmente solar), e preços mais altos em momentos de redução da oferta. Não foi diferente no SIN.

Outros sistemas procuraram controlar esses efeitos, em geral reduzindo os incentivos para essas novas fontes e/ou estimulando a instalação de baterias. Aqui essas medidas estão sendo tomadas de forma lenta e limitada, com prazos dilatados para a redução dos benefícios, e até o momento não há nenhum leilão ou incentivo concreto para baterias ou armazenamento em geral. Com isso, a expansão dessas fontes seguiu acelerada e sem mecanismos compensatórios, tornando o PLD ainda mais volátil.

É esta volatilidade do PLD que está na raiz da crise que afeta várias comercializadoras. Ela decorre, antes de tudo, do aumento da oferta de energia intermitente e da falta de estímulos a projetos que permitam compensar a volatilidade e inflexibilidade temporal da oferta. E que pode aumentar por outros fatores como oscilações em preços de combustíveis ou fenômenos climáticos intensos.

Alguns agentes alegam que a volatilidade decorre dos modelos de cálculo do PLD, que teriam tornado o PLD irracional ou sem sentido. Os modelos não são perfeitos, porém eles são amplamente conhecidos pelos agentes.

Esta volatilidade resultou em um ambiente bem mais desafiador para as comercializadoras, demandando muito boas práticas de gestão de risco comercial e sólidos balanços. Ela passou a ser uma característica de nosso sistema. Uma novidade, portanto, porém previsível, dada a evolução da oferta e a permanência dos incentivos inadequados em nosso sistema.

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