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Luis Meyer, diretor de Sustentabilidade do Grupo Boticário: executivo falou, em NY, sobre a estratégia da empresa para transformar compromissos em ações (Grupo Boticário/Divulgação)
Exame Brand Solutions
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 14h15.
Última atualização em 2 de outubro de 2026 às 14h25.
“O momento das promessas acabou. Estamos na era da execução.” Foi com essa mensagem que Luis Meyer, diretor de Sustentabilidade do Grupo Boticário, levou ao debate da Climate Week, em Nova York, a estratégia climática da companhia.
Durante o summit promovido pela World Climate Foundation no último dia 24 de setembro, o executivo defendeu que as empresas precisam transformar compromissos ambientais de longo prazo em decisões colaborativas tomadas no presente que façam parte da operação e da gestão do negócio, unindo a conservação da biodiversidade, a inovação em embalagens e o engajamento do consumidor final.
Um dos principais diferenciais levados pelo Grupo Boticário ao palco internacional foi a capacidade de integrar a economia circular ao ecossistema de varejo e ao hábito de consumo.
Entre os destaques está a estratégia pós-consumo, depois que o produto chega às mãos do consumidor. O Grupo Boticário conta com o programa Boti Recicla, que recebe embalagens pós-consumo de cosméticos de qualquer marca nas lojas participantes. Segundo o Grupo Boticário, são mais de 4 mil pontos de coleta no Brasil, além de dez lojas em Portugal.
Além de recolher embalagens, a companhia busca dar vida nova a esses materiais: parte volta à cadeia como novas embalagens e outra parcela vira placas para infraestrutura e móveis das lojas - conectando o design do produto, o consumo e a destinação final dos resíduos.
“Quando transformamos o resíduo devolvido pelo consumidor em um ativo tangível e competitivo dentro das nossas próprias lojas, mostramos que a economia circular é viável, escalável e gera valor real para o ecossistema”, destaca Meyer.
A agenda apresentada em Nova York também inclui outro pilar que torna a jornada do Grupo Boticário única no cenário global: a atuação integrada da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Mantida há mais de 35 anos por meio de Investimento Social Privado, a Fundação demonstra que a ação climática precisa ir muito além da descarbonização industrial.
A preservação de ecossistemas, água e biodiversidade é encarada pela companhia como um fator crítico para a segurança hídrica e a resiliência das cadeias de suprimentos e das comunidades.
A Reserva Natural Serra do Tombador, mantida pela Fundação Grupo Boticário, protege mais de 8,5 mil hectares no Cerrado goiano. (André Dib/Divulgação)
Por meio da Fundação Grupo Boticário, a companhia atua na conservação de áreas naturais e na proteção de recursos hídricos. As iniciativas da Fundação incluem o Movimento Viva Água, voltado à segurança hídrica em seis bacias hidrográficas estratégicas, e a proteção de duas reservas naturais que somam cerca de 11 mil hectares.
Em um momento em que eventos climáticos extremos pressionam a economia global, proteger a natureza também pode significar a continuidade dos negócios e o suprimento de matérias-primas a longo prazo.
Para uma empresa de bens de consumo, a transição climática não termina nas fábricas, onde o Grupo Boticário já opera com 100% de energia renovável em suas unidades operacionais e centros de distribuição próprios. Como mais de 95% das emissões da companhia estão no Escopo 3, envolvendo matérias-primas, fornecedores, logística e uso dos produtos, reduzir as emissões associadas exige mudanças que dependem de diferentes empresas e modelos de operação.
“Sabemos que nenhuma empresa transforma uma indústria sozinha. O verdadeiro teste da transição climática está na capacidade de atuar em rede e evoluir junto com todo o ecossistema”, afirmou Meyer.
Com os fornecedores, a estratégia envolve a adoção de melhores práticas ambientais, inovação em matérias-primas e elevação dos padrões de sustentabilidade na cadeia de suprimentos. Já com a sua rede de franqueados, a companhia trabalha para levar eficiência operacional e fontes renováveis de energia para as lojas. Para as duas frentes, o Grupo Boticário conta com programas específicos de incentivo já consolidados, como o PADP (Programa de Avaliação de Desempenho de Parceiros), para fornecedores, e o IAF (Instrumento de Aceleração do Futuro), para franqueados.
Para dar sustentação à jornada de longo prazo, a companhia pauta suas metas na ciência, sendo a primeira empresa do setor de bens de consumo na América Latina a ter metas Net Zero validadas pela Science Based Targets initiative (SBTi).
E, como parte da sua estrutura de gestão interna, o Grupo Boticário utiliza instrumentos como os
Sustainability-Linked Bonds (SLBs), que conectam os compromissos climáticos e de logística reversa
às suas diretrizes financeiras, reforçando a responsabilidade com as metas estabelecidas. A companhia já mobilizou mais de R$ 5 bilhões em Sustainability-Linked Bonds (SLBs).
Na Semana do Clima, Meyer destacou que a captação de recursos via títulos vinculados a metas de sustentabilidade consolida o alinhamento entre a gestão financeira e a preservação ambiental. Para o executivo, conectar o desempenho ecológico às decisões de capital coloca a transição climática no centro da estratégia corporativa.
A presença do Grupo Boticário e da Fundação Grupo Boticário na Semana do Clima de Nova York reafirma o posicionamento da companhia focado em entregas reais, preparando o caminho para as grandes discussões climáticas globais que se aproximam.
“Não temos todas as respostas para a transição climática, mas estamos provando na prática que a execução pragmática, a transparência e a colaboração são os únicos caminhos possíveis. A beleza do futuro é o legado que construímos e entregamos hoje”, conclui Luis Meyer.