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Duas décadas de atuação e novos critérios marcam a nova fase do Sistema B (Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 13h08.
Última atualização em 2 de outubro de 2026 às 14h53.
Após celebrar duas décadas de atuação e passar pela maior revisão de seus padrões de certificação em 2026, o Sistema B entra em uma nova fase de liderança no Brasil e na América Latina.
Pedro Telles assume a direção da organização brasileira, enquanto Lorena Muiño passa a liderar a operação latino-americana. Já Cinthia Gherardi, atual diretora do Sistema B Brasil, assume a área de Impacto e Movimento para a região.
O anúncio acontece em meio a uma transformação da própria certificação B Corp, concedida a negócios que equilibram o lucro com o impacto socioambiental positivo e transparência.
No Brasil, o movimento reúne cerca de 500 empresas com atuação local, entre elas, estão Natura, Movida, Reserva, Cia Hering e Dengo Chocolates.
No início deste ano, aquelas que buscam obter ou renovar a certificação precisam atender a requisitos obrigatórios em sete áreas de impacto, substituindo o modelo anterior, baseado principalmente no acúmulo de pontos.
Na prática, isso significa que não é mais possível compensar o desempenho mais fraco em determinado tema com uma pontuação elevada em outro.
Os novos critérios estabelecem exigências mínimas em áreas como ação climática, direitos humanos, trabalho justo, gestão ambiental e circularidade, diversidade e governança.
A nova estrutura de liderança, portanto, chega em um momento em que o Sistema B tenta conciliar duas frentes: ampliar o alcance e, ao mesmo tempo, tornar mais exigentes a entrada e a permanência das companhias dentro da certificação.
A relação de Pedro Telles com o Sistema B começou uma década antes de sua chegada ao comando da operação brasileira.
Em 2016, ele integrou a primeira turma de formação de Multiplicadores de Empresas B realizada no país e passou a atuar como voluntário. Depois, tornou-se gestor da Comunidade B Rio.
Entre 2018 e 2021, Telles integrou diretamente a equipe do Sistema B Brasil, com atuação nas áreas de comunidades, relacionamento e desenvolvimento de negócios.
Após deixar a organização, passou para o outro lado da certificação. Na Movida, Empresa B Certificada, liderou a área de sustentabilidade e trabalhou com projetos estratégicos, relatórios integrados e compromissos de combate às mudanças climáticas.
Depois, passou pela consultoria Decah e, mais recentemente, foi country manager da Latimpacto no Brasil, rede latino-americana voltada à conexão e à mobilização de capital para iniciativas de impacto.
Economista, Telles tem mestrado pela UFRJ e também acumula experiência como professor e empreendedor.
Agora, retorna ao Sistema B em um cenário bastante diferente daquele que encontrou quando começou como voluntário.
“Meu sentimento é de voltar para casa. E o que mais me encantou, nesta nova etapa, foi ver o movimento elevando o nível de exigência da certificação e somando forças com outros países. É uma combinação ambiciosa, e é exatamente o que o momento pede”, destacou o executivo.
A troca de comando no Brasil faz parte de uma reorganização mais ampla do Movimento B.
Na América Latina, a operação passa a ser dividida em quatro sub-regiões, sob a liderança executiva regional de Lorena Muiño. O Brasil, pela dimensão de seu mercado e de sua comunidade empresarial, passa a constituir uma sub-região própria.
Cinthia Gherardi, que comandava o Sistema B Brasil, assume a posição de diretora de Impacto e Movimento para a América Latina. Para ela, a integração amplia a força do movimento e coloca o Brasil em uma posição de protagonismo.
"Hoje temos lideranças brasileiras no global e na região, e um diretor brasileiro que cresceu dentro da nossa comunidade e conhece de perto os desafios e oportunidades dos negócios”, afirma Cinthia.
A reorganização também chegou ao nível global. Marcel Fukayama, cofundador do Sistema B Brasil, assumiu o cargo de chief impact & movement officer do B Lab, função criada para concentrar as agendas de impacto e expansão do movimento.
As mudanças acontecem também quando compromissos ambientais e sociais assumidos globalmente são colocados em xeque e a credibilidade dos selos ligados à agenda ESG é posta à prova.