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Por que as abelhas tropicais são as mais vulneráveis ao aquecimento global

Pesquisa alerta que polinizadoras essenciais para culturas como manga, abacate e macadâmia podem sofrer impactos crescentes com a alta das temperaturas

Responsáveis pela polinização de plantas e lavouras, as abelhas são essenciais para a biodiversidade e a segurança alimentar (Freepik)

Responsáveis pela polinização de plantas e lavouras, as abelhas são essenciais para a biodiversidade e a segurança alimentar (Freepik)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 19 de junho de 2026 às 17h10.

Última atualização em 19 de junho de 2026 às 17h14.

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Nem todas as abelhas enfrentam as mudanças climáticas da mesma forma. Um estudo publicado na revista Nature Communications por pesquisadores de seis universidades australianas identificou que a forma como uma espécie constrói seu ninho pode ser tão determinante para sua sobrevivência quanto sua tolerância ao calor.

Uma das descobertas é que algumas populações podem estar em risco justamente por viver em locais expostos demais ao sol. A análise considerou a tolerância as altas dos termômetros de 95 espécies de abelhas nativas encontradas no leste continental da Austrália, em locais que vão do norte tropical ao sul mais frio do país.

Por que as abelhas tropicais estão em maior risco

Um dos destaques do estudo desafia a intuição comum. Ter alta tolerância ao calor não necessariamente protege uma espécie frente à crise climática. 

Os pesquisadores identificaram que as abelhas que vivem em regiões mais próximas ao Equador estão entre as mais vulneráveis ao aquecimento global, mesmo que já sejam adaptadas a ambientes quentes.

A explicação está na margem de segurança disponível. Espécies tropicais já operam próximas ao limite de sua tolerância térmica. Qualquer aumento adicional de temperatura, mesmo que pequeno, pode ser suficiente para ultrapassar esse limiar.

"Descobrimos que aquelas com maior tolerância ao calor não eram necessariamente as mais seguras em relação ao aquecimento, porque muitas delas já vivem em ambientes extremamente quentes", afirmou Vanessa Kellermann, pesquisadora da La Trobe University e coautora sênior do estudo.

Essa vulnerabilidade é especialmente relevante do ponto de vista agrícola. Abelhas nativas tropicais são polinizadoras fundamentais de culturas como macadâmia, abacate, manga e lichia. Sua perda teria impacto direto sobre a produção de alimentos e segurança alimentar.

"As abelhas são fundamentais em todo mundo por seu papel como polinizadoras, e estão ameaçadas pelo aquecimento e pela aridez crescente dos climas", disse Carmen da Silva, do Centro de Pesquisa em Polinizadores da Universidade Macquarie, em Sydney, e autora principal do estudo.

"Elas sustentam ecossistemas nativos e têm um papel essencial na produção agrícola."

O papel do ninho na sobrevivência ao calor

A Austrália abriga cerca de 1.700 espécies de abelhas nativas. De modo geral, elas podem ser divididas em três grupos conforme o tipo de ninho: as que escavam tocas no solo; as que utilizam cavidades em madeira como ocos de árvores ou galhos caídos; e as que nidificam, ou seja, formam ninhos, dentro de hastes de plantas ou em pequenos buracos em galhos finos.

Essa diferença estrutural tem consequências diretas para a exposição ao calor.

"Abelhas que nidificam no solo podem se esconder do calor extremo — como resultado, não experimentam temperaturas tão altas quanto as que vivem acima do solo, especialmente as que habitam hastes finas de plantas, que oferecem muito pouco isolamento do calor externo", explicou Da Silva.

Segundo a especialista, as espécies que nidificam em hastes parecem ter a menor capacidade de escapar de temperaturas ambientais desfavoráveis e provavelmente serão as mais afetadas pelas mudanças climáticas no curto prazo.

Os pesquisadores ressaltam que ainda há muito a ser descoberto sobre as abelhas nativas australianas e que compreender melhor seus comportamentos é essencial para identificar as maiores ameaças.

"Este estudo nos ajuda a reconhecer que ter uma compreensão melhor é fundamental para identificar as maiores ameaças as suas populações selvagens", disse Ros Gloag, da Universidade de Sydney e coautora sênior do trabalho.

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