Para a Orizon, o lixo é um ativo, não um problema

Neste ano, a empresa vai inaugurar a maior planta de triagem mecânica da América Latina, com capacidade para processar 500.000 toneladas por ano
 (Foto/Thinkstock)
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Rodrigo CaetanoPublicado em 23/06/2022 às 21:00.

Cerca de 40% do lixo produzido no Brasil vai parar em lixões. De todas as soluções para o tratamento dos resíduos, essa é a pior. Há décadas a população brasileira sofre com a falta de investimentos no setor, situação que gera uma série de problemas ambientais e de saúde. Em 2000, a aprovação do Marco Legal do Saneamento, no entanto, renovou a esperança de resolução desse desafio. “Essa é a nossa missão”, afirma Milton Pilão, CEO da Orizon, empresa de gestão de resíduos. “Para nós, o lixo é um ativo, não um problema."

A Orizon é, atualmente, a maior produtora de biogás à base de rejeitos orgânicos em aterros sanitários. O combustível é produzido do metano oriundo da decomposição dos rejeitos. Esse é apenas um dos produtos tirados do lixo que podem ser reinseridos na economia com o uso de tecnologia, modelo de negócios circular que a Orizon explora. Para Pilão, trata-se de ressignificar a palavra lixo. “Entendemos o resíduo como uma fonte de renovação”, diz ele.

Neste ano, a empresa vai inaugurar a maior planta de triagem mecânica da América Latina, com capacidade para processar 500.000 toneladas por ano. Estações como essa separam material reciclável do lixo comum e são fundamentais para elevar a taxa de reciclagem do país, atualmente na casa do 1%, considerando todo o material.

Em países desenvolvidos, esse percentual chega a ultrapassar 30%. Segundo Pilão, as máquinas complementam o trabalho de separação do lixo que não pode ser feito pelas pessoas em suas casas. Além do benefício ambiental, a fábrica de recicláveis tem um impacto social positivo.

A Orizon atua com cooperativas de catadores para capacitar os trabalhadores e aumentar o valor de revenda do material. Segundo Pilão, a maior barreira para o uso de embalagens recicladas na indústria está na falta de matéria-prima. A partir da unidade de processamento, a empresa opera uma plataforma de venda de recicláveis que será aberta aos catadores. “Eliminamos um intermediário e, dessa forma, aumentamos o valor que as cooperativas recebem”, explica o CEO. É a economia circular em ação.