ONU debate o futuro das espécies em assembleia sobre diversidade

Na Cúpula das Nações Unidas sobre Biodiversidade, líderes mundiais buscam uma solução para a extinção em massa: metade das espécies pode desaparecer

Começa nesta quarta-feira, 30, a Cúpula das Nações Unidas (ONU) sobre Biodiversidade, encontro de líderes ambientais que acontece durante a abertura da 75ª sessão da Assembleia Geral da ONU. O objetivo do debate é encontrar uma solução para garantir a manutenção da biodiversidade do planeta, que está sob ameaça por causa das mudanças climáticas.

A pandemia do coronavírus, segundo a ONU, está ressaltando a importância de uma relação saudável entre as pessoas e a natureza. Esse é um dos assuntos que será tratado na cúpula, cujo objetivo principal é estabelecer as bases para a criação do documento que deverá ser assinado na Conferência da Biodiversidade, a chamada COP da Biodiversidade (sigla em inglês para Convention Of Parties, termo em inglês que, numa tradução livre, significa uma Convenção multilateral entre países), que será realizada em 2021.

De acordo com dados da entidade, 75% das terras do planeta foram alteradas significativamente pela ação humana, e 66% da área dos oceanos sofre com múltiplos impactos decorrentes da pesca, da poluição e da acidificação das águas. O resultado desse cenário é uma taxa de extinção de espécies mil vezes maior do que o habitual.

Um estudo realizado pelas organizações conservacionistas The Nature Conservancy (TNC), Instituto Paulson e Centro Cornell para Sustentabilidade aponta, ainda, que há uma lacuna no financiamento da conservação ambiental, o que piora o cenário. Segundo o trabalho, esse valor é estimado em 711 bilhões de dólares por ano, em média.

A falta de ação pode trazer prejuízos econômicos. Somente o desaparecimento de animais polinizadores, como abelhas, borboletas e mariposas, resultado do uso de pesticidas, traria prejuízos anuais de 217 bilhões de dólares para a agricultura.

“Associados a essa perda estão os riscos de fome e agitação social, potencialmente mais sérios, mas mais difíceis de quantificar”, afirma Henry Paulson, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, autor do prefácio do estudo.

“Em suma, embora nunca sejamos capazes de calcular o valor total da natureza, sabemos o suficiente para saber que sua destruição apresenta riscos profundos para as sociedades humanas e, como acontece com qualquer risco sério que enfrentamos, a resposta racional é se proteger.”

Em meio ao avanço nas queimadas em florestas tropicais como Amazônia e o Pantanal, é de esperar que o Brasil seja mencionado de forma negativa por autoridades mundiais no evento. Ontem, no debate presidencial dos Estados Unidos, o candidato democrata Joe Biden mencionou que, se eleito, destinará 20 bilhões de dólares ao Brasil para conservação da Amazônia. Além disso, prometeu retaliações caso ao governo Bolsonaro siga permitindo a queimada da floresta.

 

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