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'Sem os Andes, não há floresta': TEDxAmazônia será no Equador pela primeira vez

À EXAME, o fundador da organização no Brasil defende que o bioma não pode ser pensado a partir de fronteiras nacionais; Evento acontece de 27 a 30 de agosto, em Baños e Puyo

CEO do TEDx Amazônia, Rodrigo Cunha: ""A Amazônia não pode ser pensada a partir de fronteiras nacionais" (Divulgação)

CEO do TEDx Amazônia, Rodrigo Cunha: ""A Amazônia não pode ser pensada a partir de fronteiras nacionais" (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 26 de maio de 2026 às 06h00.

"A Amazônia não pode ser pensada a partir de fronteiras nacionais. Estamos falando de um sistema vivo que conecta montanhas, rios, florestas e pessoas."

A declaração é do fundador do TEDxAmazônia, Rodrigo Cunha, e resume o que move a edição 2026 do evento: a interdependência.

Pela primeira vez em seus 16 anos de história, o TEDxAmazônia deixa o Brasil e cruza fronteiras dentro do próprio bioma: 40% da floresta amazônica está fora do território brasileiro, distribuída entre outros oito países.

De 27 a 30 de agosto, o palco será o Equador, em parceria inédita com o TEDxQuito, nas cidades de Baños — aos pés dos Andes — e Puyo, primeira cidade plenamente inserida na floresta amazônica equatoriana.

À EXAME, Rodrigo destacou que a escolha não é apenas simbólica: é científica.

"A Amazônia não existe sem os Andes. É de onde vem a água, tudo está muito conectado", explica.

Essa inter-relação entre os dois ecossistemas, que influencia desde as secas amazônicas até o equilíbrio climático global, é o fio condutor do encontro. A proposta é que o próprio território traduza a narrativa: os participantes embarcarão em ônibus de Puyo até Baños, descendo pelos Andes em uma viagem que torna visível, na paisagem, a conexão que permeia a Amazônia. 

A interdependência que Rodrigo defende vai além da geografia. Ela aparece nos debates e nos problemas que, segundo o CEO, ainda não têm solução à vista.

O garimpo ilegal avança como crise de saúde nas comunidades tradicionais, impulsionado pela demanda internacional por minerais críticos. A bioeconomia cresce como alternativa sustentável para impulsionar a economia da floresta, mas esbarra em um gargalo: atingir escala.

"Um dos desafios é construir uma resiliência de produção e fazer com que os recursos cheguem na ponta para as comunidades", afirma.

O mesmo problema aparece nos mecanismos climáticos. O Fundo de Florestas Tropicais (TFFF), lançado com expectativa na COP30 em Belém, ainda patina.

Os R$ 10 bilhões aportados ainda são bastante insuficientes perto dos R$ 150 bilhões necessários para pagar a população que vive da floresta, lembra Rodrigo.

E há ceticismo crescente, vindo das próprias lideranças indígenas, sobre os mercados de carbono como uma saída para a transição climática.

"Do jeito que é feito em alguns casos, é mais um novo jeito de colonização", afirma Rodrigo. "Os recursos simplesmente não chegam às comunidades."

A curadoria do evento também reflete a mesma lógica de descentralização. O Brasil terá no máximo um terço dos palestrantes, em uma decisão deliberada para garantir a diversidade de vozes. 

O restante vem dos outros países amazônicos, com peso significativo do Equador. O conselho consultivo reúne organizações como Amazon Watch, Conservation International, Greenpeace, IPAM, The Nature Conservancy e WRI, entre outras. O evento é gratuíto e as pré-inscrições estão abertas.

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