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Setor elétrico mexicano: reforma amplia protagonismo estatal e prevê novos projetos renováveis.
Publicado em 6 de março de 2026 às 17h04.
O setor elétrico mexicano vive um momento de reestruturação, com fortalecimento do protagonismo estatal e uma redefinição do papel da iniciativa privada. Após um período de incertezas regulatórias e desaceleração de investimentos, o país voltou a registrar avanços relevantes na incorporação de fontes renováveis e sistemas de armazenamento, com uma combinação de investimentos estatais e mecanismos para participação privada.
A eleição de López Obrador (AMLO) como presidente em 2018 foi um ponto de inflexão no cenário político mexicano. AMLO buscou desfazer elementos da reforma energética implementada por seu antecessor, que havia liberalizado o setor.
Sob seu governo, leilões que viabilizavam novos empreendimentos foram cancelados e projetos renováveis tiveram dificuldades de conexão. Recuos mais contundentes não ocorreram graças a intervenções do legislativo e judiciário, porém a deterioração do ambiente de negócios acabou por conter investimentos em anos recentes.
Em 2024, Claudia Sheinbaum, do mesmo partido de AMLO, foi eleita presidente. Embora tenha um perfil mais moderado, alinhado à pauta de transição energética e a parcerias com o setor privado, ela aprovou – com maior apoio no Congresso – uma reforma constitucional que redefiniu as bases do setor elétrico, devolvendo o protagonismo ao Estado.
Entre os principais itens da nova regulação estão a obrigação de que a estatal Comissão Federal de Eletricidade (CFE) detenha ao menos 54% da energia produzida no país, e a introdução de uma participação ativa das instituições públicas na expansão da matriz elétrica, através do chamado planejamento vinculante, no qual a construção de novos ativos é determinada de forma centralizada, em linha com planos oficiais de desenvolvimento do setor.
Nesse contexto, a CFE anunciou um plano de investimentos em energia limpa e armazenamento, que supera um total de US$ 1,6 bilhão. O objetivo é adicionar mais de 1,5 gigawatts (GW) de solares e baterias, distribuídos em diferentes regiões do país, além de quase 3 GW de térmicas previstas para os próximos anos, e 380 MW fotovoltaicos e 63 MW eólicos ainda em avaliação.
Também foram lançadas convocatórias para licenciamento de projetos privados definidos centralizadamente. A primeira rodada, realizada em outubro de 2025, aprovou quase 3,5 GW renováveis e mais de 1,2 GW de baterias, com investimentos superiores a US$ 4,7 bilhões e operação esperada a partir de 2028. Uma segunda rodada está em andamento, visando o desenvolvimento de 7,5 GW com investimentos compartilhados pela CFE e agentes privados, e está em fase de inscrição dos projetos candidatos.
O movimento consolida um modelo de planejamento estatal e execução privada. Enquanto a CFE lidera projetos estruturantes de grande escala, preservando seus 54% de participação na produção, agentes privados atuam de forma complementar, com projetos alinhados aos planos oficiais. Essa dinâmica expressa o novo paradigma, que articula o protagonismo estatal com a participação privada como forma de viabilizar a expansão do sistema e avançar na transição energética do país.
Capacidade de oferta prevista para ser desenvolvida com investimentos públicos e privados. Fonte: Comissão Federal de Eletricidade (CFE) e Secretaria de Energia (SENER)