Metade das espécies pode sumir em 30 anos. Evitar isso custa US$ 711 bi

Estudo patrocinado pela TNC aponta uma lacuna no financiamento da conservação ambiental. Falta de ação trará prejuízos trilionários para a economia

A extinção de espécies é um fenômeno natural. Atualmente, no entanto, o mundo perde biodiversidade a uma taxa 1.000 vezes maior do que o habitual. Nesse ritmo, entre 30% e 50% desaparecerá em 30 anos, gerando prejuízos trilionários à economia, fome, pandemias entre outras catástrofes. Mas, é possível evitar isso. Basta eliminar a lacuna no financiamento da conservação ambiental, estimada entre 598 bilhões e 824 bilhões de dólares por ano — em média, 711 bilhões de dólares anuais. 

As conclusões são de um amplo estudo patrocinado pelas organizações conservacionistas The Nature Conservancy (TNC), Instituto Paulson e Centro Cornell para Sustentabilidade. De acordo com o trabalho, as mudanças climáticas estão exacerbando a perda da diversidade, causando o branqueamento dos recifes de coral, o crescimento desenfreado de doenças causadas por insetos nas florestas e a perda severa de espécies no Ártico. 

“Na Amazônia, as mudanças hidrológicas causadas pelo desmatamento podem secar permanentemente milhões de hectares de floresta tropical e alterar todo o clima da Amazônia”, afirma Henry Paulson, ex-secretário do tesouro dos Estados Unidos, autor do prefácio do estudo. “O custo econômico resultante será impressionante.”

Paulson tem experiência em gerenciar crises econômicas. Ele serviu como secretário do tesouro americano durante a crise de 2008, no governo George Bush. “A perda da biodiversidade não significa apenas a perda de plantas e animais. Ela também representa riscos enormes para a prosperidade e o bem-estar humanos”, escreve o empresário e conservacionista. 

Somente o desaparecimento de polinizadores, como abelhas, borboletas e mariposas, resultado do uso de pesticidas, traria prejuízos anuais de 217 bilhões de dólares para a agricultura. “Associados a essa perda estão os riscos de fome e agitação social, potencialmente mais sérios, mas mais difíceis de quantificar”, diz Paulson. “Em suma, embora nunca sejamos capazes de calcular o valor total da natureza, sabemos o suficiente para saber que sua destruição apresenta riscos profundos para as sociedades humanas e, como acontece com qualquer risco sério que enfrentamos, a resposta racional é se proteger.”

A única maneira de desacelerar a perda da biodiversidade, diz o estudo, é garantir que a natureza seja valorizada. Para isso, os autores apresentam seis recomendações. “Isso exigirá liderança política ousada e políticas, mecanismos e incentivos transformadores que desestimulem ações prejudiciais e incentivem o financiamento para a natureza em grande escala”, aponta o documento.

“Se há uma lição que aprendi ao longo de todos os meus anos como conservacionista é que a natureza precisa de defensores”, afirma Paulson. “Mas os defensores, por sua vez, precisam de um estudo de caso claro e convincente que possa ser amplamente apoiado pelo sociedade e defendido por líderes políticos. Hoje, o motivo para ação nunca foi tão claro.”

 

 

 

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