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Krigsner, do Boticário: “O Brasil precisa perceber o valor de preservar”

Para fundador da fabricante de cosméticos, cuidar da natureza, o ativo mais importante do País, é desenvolver a economia

Estamos vivendo uma crise diferente de todas as crises que o mundo já viu. Vamos precisar de muita resiliência, criatividade e união para lidar com a enorme recessão e taxa de desemprego causadas pelos efeitos do coronavírus na economia mundial. E, junto com a crise, vemos também um mundo em transformação pela 4ª revolução industrial que substitui homens por máquinas, muito mais rápidas e eficientes, ocupando cargos que, geralmente, são ocupados por pessoas mais humildes e que não tiveram acesso à educação ou formação especializada.

Além disso, a conjuntura também revela problemas estruturais e éticos da nossa sociedade. Como principal ponto de atenção, a situação evidencia ineficiência presente na gestão da saúde pública do Brasil e como isso afeta, principalmente, as populações mais vulneráveis que vivem de forma desumana e mais expostas ao vírus. Desde o início da pandemia, o Grupo Boticário busca diminuir os riscos destas populações da forma que pode, com doações de produtos de higiene e também adquirindo respiradores para hospitais públicos. Mas sabemos que é complicado falar em medidas de higiene para gente que não tem água nem para beber. É preciso reconhecer que a complexidade da situação está muito além do álcool em gel.

Mas então qual a saída? O que podemos fazer para apoiar todas essas pessoas desempregadas? Como nós, enquanto iniciativa privada, podemos ajudar a encontrar soluções para estes problemas estruturais que persistem em nosso país?

O que me vem à cabeça é que precisamos começar a traçar um plano coletivo, um plano que revela e coloca em prática a verdadeira vocação de um país como o nosso e, assim, proporcionar às pessoas possibilidades de viver uma vida que faça sentido à elas e ao país. E para entendermos a vocação de um país, precisamos identificar o que há de mais abundante nele e como estes recursos estão conectados com a garantia de futuro para todo o planeta. Logo, sendo o Brasil a maior reserva hidrológica e o país com a maior biodiversidade do mundo, fica fácil perceber que a nossa vocação está na preservação da natureza.

No entanto, para colocar essa vocação em prática, o brasileiro em geral precisa perceber o valor que há no ato de preservar. Do empresário ao trabalhador, todos precisam entender que é possível trabalhar e ganhar o seu sustento cuidando da natureza. Com essa visão, desde 2016, a Fundação Grupo Boticário passou a apoiar o ecossistema de investimentos e negócios de impacto positivo no Brasil, um segmento que possui função extremamente relevante e com potencial de direcionar o mundo dos negócios para uma economia que respeite e contribua para a manutenção e recuperação dos limites ecológicos do planeta e, ao mesmo tempo, gere prosperidade socioeconômica.

Em 2019, três iniciativas alinhadas com este propósito foram lançadas: O Movimento Viva Água, voltado a promover a transformação da realidade socioeconômica e ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Miringuava (São José dos Pinhais/PR), por meio de ações que contribuam para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Curitiba;  o Programa Natureza Empreendedora, com o propósito de apoiar e fortalecer  empreendedores e negócios que atuam de forma a gerar impacto positivo na conservação da Grande Reserva Mata Atlântica, região com o maior remanescente contínuo deste bioma em nosso país, e que busca utilizar-se deste ativo para imprimir uma nova forma de desenvolvimento regional; e a Rede de Investimento de Impacto em Conservação da Natureza, com o objetivo de influenciar e engajar investidores na pauta dos negócios com este propósito. Já em 2020, a Teia: soluções para a proteção da natureza coloca-se como o nosso novo formato de apoio financeiro às iniciativas que têm como objetivo a conservação da natureza. Serão diferentes oportunidades ao longo do ano, com formatos e temas distintos para que mais pessoas trabalhem juntas em práticas de conservação da natureza que contribuam com os principais desafios da economia e da sociedade.

Como podem ver, temos muito trabalho a fazer e um longo caminho a se percorrer para criar uma economia regenerativa baseada na natureza. No entanto, a necessidade é urgente e quanto mais atores, seja iniciativa privada, governos ou sociedade civil, se engajarem e compreenderem essa vocação do nosso país, mais rápido desenvolvemos um mercado de trabalho com oportunidades para as pessoas cuidarem da natureza, do que é essencial para a manutenção da vida, enquanto as máquinas desempenham as atividades desumanas, que não requer o pensar e o sentir humano em sua execução.

*MIGUEL KRIGSNER é fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário

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