Governança para um hoje conturbado e complexo

Há uma enorme sincronia entre três dimensões críticas na administração de negócios: mudança, crise e riscos
Nesse contexto de acumulação de situações desafiadoras três elementos básicos na dinâmica da governança são essenciais: flexibilidade, agilidade e abertura (MicroStockHub/Getty Images)
Nesse contexto de acumulação de situações desafiadoras três elementos básicos na dinâmica da governança são essenciais: flexibilidade, agilidade e abertura (MicroStockHub/Getty Images)
Por Da RedaçãoPublicado em 14/05/2022 10:47 | Última atualização em 14/05/2022 11:13Tempo de Leitura: 3 min de leitura

José Guimarães Monforte*

Meu primeiro artigo levou o título de “Governança para quando?”, e acredito ser este um bom momento para abordar a governança de hoje.

A razão dessa escolha é porque há uma enorme sincronia entre três dimensões críticas na administração de negócios.

No tempo recente vínhamos continuamente gerindo MUDANÇA, fomos inesperadamente demandados a gerir uma gigantesca CRISE, e estamos sendo desafiados a gerir os RISCOS que já vinham nos assombrando e só vimos aumentarem.

Receba gratuitamente a newsletter da EXAME sobre ESG. Inscreva-se aqui

No contexto da governança, cada um desses blocos requer atitudes específicas.

Como gerir riscos, crises e mudanças

Gerir RISCOS demanda a disciplina de prevê-los, mensurá-los, planejar sua eliminação, mitigação ou convivência administrada com eles. A atitude é preventiva.

Na gestão de CRISE, a atitude é de prontidão e organização, para que uma vez que uma crise se instale, a organização saiba exatamente como agir e o que se espera de cada um de seus agentes.

Na gestão de MUDANÇA, a atitude é a de analisar, projetar e planejar ações e recursos.

Vetores causais

O que ocorre é que todo um conjunto de vetores causais que operam sobre cada um desses blocos e sobre as decisões da governança - tem estado presentes de forma mais frequente, em velocidade crescente, e assumindo formas totalmente novas.

A gestão de MUDANÇA, que no passado era contemplada em processos estruturados, em ciclos de execução bem estabelecidos, foi se transformando em algo em  tempo real. Os “disruptores” de negócios se ampliam e mudam de “cara” com frequência, a velocidades nunca vistas. Os ecossistemas adquirem tal amplitude,  que avançam sobre variados universos de consumidores, principalmente na atividade de serviços.

Na gestão de RISCOS, muito do que foi e está sendo trazido pelo mundo digital principalmente com destaque para fraudes e cyberisk,  colocam diante dos decisores uma realidade jamais experimentada e que se autoalimenta dada a característica exponencial que esse mundo e suas ferramentas propiciam.

Leia também:

 

 

Quanto à gestão de CRISE, muito tempo se passou depois da última pandemia, até a da COVID. Em razão disso, a prontidão e organização para se enfrentar essa grave situação não se fazia tão presente.

Mas a pandemia que nos tocou profundamente pela perda de muitas vidas humanas foi também a mais traumática, mas não devemos esquecer que outras crises aconteceram, como a de 2008 no mercado financeiro global.

Como então buscar eficiência e efetividade em um sistema de governança que estabelece direção, toma decisões e deve corrigir o rumo das empresas sempre que necessário?

Nesse contexto de acumulação de situações desafiadoras três elementos básicos na dinâmica da governança são essenciais: flexibilidade para pensar diferente do habitual, agilidade para analisar e tomar decisões, e abertura para assimilar da forma mais ampla possível as demandas externas e internas.

É importante também se dar conta que há hoje muita oportunidade para distração, que os ambientes de negócio tendem a mudar profunda e rapidamente. E isto demanda maior engajamento, mais foco, e o estabelecimento de critérios claros para tomada de decisões, sem deixar que se tornem complexos.

Finalmente, deve haver clareza quanto ao Propósito e a Identidade que se busca, sendo estes os aspectos que nortearão o que melhor em cada situação.

*Jose Guimarães Monforte é economista, ex-presidente do conselho do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e participou de conselhos de grandes empresas como Natura, Petrobras, Eletrobras, entre outras. Foi responsável por organizar a estratégia de governança da Natura, que resultou na abertura de capital da companhia, em 2004.