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Energia renovável para calor industrial é opção “quente”?

Geração limpa associada a ‘baterias térmicas’ pode ser econômica e, ao mesmo tempo, substituir uso de combustíveis fósseis pela indústria

Fabricantes como a Rondo (EUA) e a Brenmiller (Israel) já oferecem soluções que armazenam calor em materiais simples, como tijolos refratários e rochas, respectivamente. (Seksan Mongkhonkhamsao/Getty Images)

Fabricantes como a Rondo (EUA) e a Brenmiller (Israel) já oferecem soluções que armazenam calor em materiais simples, como tijolos refratários e rochas, respectivamente. (Seksan Mongkhonkhamsao/Getty Images)

Rafael Kelman
Rafael Kelman

Colunista

Publicado em 3 de junho de 2024 às 10h00.

Última atualização em 6 de junho de 2024 às 15h33.

Quando criança lembro de observar a espiral do forninho elétrico da cozinha de casa esquentar, emitindo tons de laranja enquanto aguardava o pão tostar. Numa dessas ocasiões, meu pai explicou sobre o esforço requerido para disponibilizar energia elétrica para o seu uso: construção de usinas, linhas de transmissão e redes de distribuição de energia. A eletricidade seria uma forma de energia ordenada, enquanto o calor seria o oposto. Transformar eletricidade em calor seria como andar na contramão e talvez por isso, sempre que eu ligava o forninho, parecia estar fazendo algo errado.

Quatro décadas depois, esse quase pecado pode estar se transformando em virtude no combate ao aquecimento global, considerando que a energia usada pela indústria responde por 24% das emissões de CO2 do mundo, sendo a maior parte ligada à produção de calor e vapor que usam combustíveis fósseis (por exemplo: gás natural, GLP, óleo combustível ou diesel) em diversas aplicações industriais.

A ideia é a seguinte: se um processo puder ser eletrificado, ele pode ser descarbonizado. Basta que a nova carga elétrica seja atendida por fonte limpa. Por sorte as fontes renováveis não convencionais são hoje as mais baratas. Um feito incrível se considerarmos que há 15 anos elas eram as mais caras. Ainda melhor porque a tendência é de aumento de eficiência e queda de preços da energia solar fotovoltaica nos próximos anos.

Até aqui tudo bem. Uma indústria pode consumir calor de um processo elétrico com energia produzida por fonte renovável, como a solar. Mas há um detalhe: a energia solar só funciona de dia e ainda varia com passagem de nuvens, dias nublados etc. Como conciliar essa produção diurna variável com o consumo de calor constante (a maior parte das indústrias funciona por 24h)? A resposta é armazenando a energia. Mas não através de baterias elétricas convencionais, cuja aplicação pode ser cara, e sim via sistemas que armazenam o calor diretamente.

Essas “baterias térmicas” podem ser econômicas por reduzirem o uso de combustíveis como gás natural ou óleo, que são caros no Brasil. E a energia solar – cada vez mais barata –pode ser implantada (e muitas vezes é) pelo próprio cliente industrial.

Fabricantes como a Rondo (EUA) e a Brenmiller (Israel) já oferecem soluções que armazenam calor em materiais simples, como tijolos refratários e rochas, respectivamente. Esse tipo de aplicação pode aumentar a competitividade de produtos “made in Brazil”, que ainda capturariam um “prêmio” nos mercados globais pela menor pegada de carbono.

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