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Curtailment: geração solar e eólica em excesso pode sobrecarregar o sistema elétrico.
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 14h30.
Diferente de outros bens de consumo, a eletricidade deve ter sua produção igualada à demanda em todos os instantes. Para fontes de geração como as hidrelétricas e termelétricas, esse controle é mais direto do que, por exemplo, nas fontes solar e eólica. Essas tecnologias, conhecidas como renováveis não convencionais, apresentam alguns desafios para regular sua geração, pois dependem exclusivamente da disponibilidade dos recursos naturais. Assim, a única forma de limitar a produção dessas usinas é forçando uma redução na injeção de potência ativa na rede e, consequentemente, desperdiçando energia. Esse fenômeno é caracterizado como curtailment e pode ocorrer por diferentes motivos nos sistemas elétricos.
Entre as diversas causas do curtailment, destacam-se aquelas classificadas como razões energéticas, que ocorrem quando a quantidade de energia disponível no sistema ultrapassa a demanda. Nesses casos, o Operador Nacional do Sistema (ONS) é obrigado a limitar a geração de eletricidade para evitar desequilíbrios que poderiam causar até mesmo apagões.
Os cortes de geração realizados pelo ONS devem seguir algumas diretrizes, como, por exemplo, restrições contratuais de inflexibilidade para termelétricas e restrições ambientais associadas ao controle de vazões em rios para hidrelétricas. Além disso, é importante destacar que o ONS não possui controle sobre a produção de energia da Geração Distribuída (GD), composta principalmente pela fonte solar. Assim, respeitando essas limitações, as demais fontes de geração, a solar centralizada e a eólica, acabam absorvendo o restante dos cortes necessários para equilibrar o balanço entre oferta e demanda no sistema.
Para exemplificar o fenômeno descrito, vale observar a composição da matriz elétrica no dia 10 de agosto de 2025, domingo de Dia dos Pais. No gráfico, apresenta-se a produção de energia segmentada por fonte de geração, na qual se nota que a participação das fontes solar e eólica foi extremamente reduzida ao longo do dia, atingindo seu valor mínimo por volta das 13 horas. Em termos absolutos, a geração combinada dessas fontes ficou abaixo de 2% da demanda total.

Apesar de soar contraditório, o excesso de geração renovável no Brasil pode, em determinados momentos, representar um problema para o sistema elétrico. Nesse exemplo do gráfico, caso a demanda apresentasse uma redução significativa durante as horas do dia, poderia acontecer uma situação em que não haveria mais geradores para serem cortados, o que poderia resultar até mesmo em cortes de carga por excesso de geração.
O que contribui no aprimoramento do balanço entre a oferta e a demanda é a implementação de sistemas de armazenamento de baterias. No entanto, essas soluções ainda se encontram em estágio incipiente de desenvolvimento no país, enquanto em países como Estados Unidos e China já são uma realidade.
Além dos impactos sistêmicos que podem decorrer desse desbalanço energético, os cortes de geração aplicados para contê-lo resultam em perdas de energia para os agentes geradores. Com isso, esses agentes deixam de atender parte de suas obrigações contratuais e precisam recorrer ao Mercado de Curto Prazo (MCP), o que pode implicar em perdas de receita e maior exposição à volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).