Em meio à guerra das vacinas da covid, programa discute ética na medicina

Escola de negócios faz parceria com Johnson & Johnson para ensinar aos médicos ética empresarial. Objetivo é acabar com a pequena corrupção

Até onde as pessoas vão para proteger um parente? Alguém que tenha seguro saúde, porém não contratou cobertura para o filho, pode pedir ao médico que passe a consulta no seu convênio? Uma criança doente justifica essa pequena corrupção? E na fila da vacina, é justo que um médico priorize seus familiares em detrimento de desconhecidos? O que você faria? 

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Essas são algumas perguntas que a FGV, uma das principais escolas de negócios do país, busca responder em seu novo programa de ética. Com apoio da Johnson & Johnson, a FGV-Ethics, braço de estudos sobre o tema da escola, lançou um projeto que visa levar os conceitos de ética empresarial para o mundo da medicina, ampliando o ensino da disciplina na carreira. “Na faculdade, o foco é debater sobre questões éticas entre médico e paciente. A questão da corrupção fica de fora”, afirma a professora Ligia Maura Costa, líder do programa. 

O problema, diz ela, é que a pequena corrupção, como mudar uma receita para enganar o convênio, estão muito presentes no dia a dia dos profissionais da saúde. Há uma série de comportamentos considerados normais que devem ser melhor debatidos. “O que é errado é errado. Esses pequenos deslizes acabam gerando a grande corrupção, como a que vimos na Lava Jato”, afirma Costa. 

A pandemia exacerbou alguns desses temas éticos na medicina. A disputa entre o Governo de São Paulo e o Governo Federal em torno da Coronavac, vacina desenvolvida pela China com participação do Instituto Butantan, é um exemplo. Sem fazer julgamentos, ela diz que há diversos dilemas que precisam ser debatidos nessa questão. E, quando chegar a hora de aplicar a vacina na população, é provável que surjam outros. Estabelecer uma fila de prioridades é um tarefa complexa. 

Retrocesso na corrupção 

Coordenadora do departamento de ética da FGV, Costa enxerga um retrocesso no combate à corrupção, no último ano. “A aprovação de algumas leis e a não aprovação de outras dificultou o trabalho dos promotores”, afirma. O que não mudou, no entanto, é o sentimento de repúdio da classe empresarial em relação à corrupção, pós-Lava Jato. Segundo a professora, a sociedade vive hoje sob regras mais rígidas de conduta moral, em que os ilícitos não são tolerados, seja por conta dos prejuízos aos negócios, seja pelo risco de ser pego. É um grande avanço.   

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