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Drenagem: novos volumes de chuvas mudarão a engenharia e vão demandar visão de longo prazo

Hoje, apenas 30,2 % dos municípios brasileiros possuem mapeamento de áreas de risco de inundação e 10,8% têm soluções de drenagem natural, como faixas e valas de infiltração em vias públicas

Despreparo: alagamentos como os vistos no RS podem ocorrer em muitos municípios brasileiros por conta da falta de planejamento (Nelson Almeida/AFP)

Despreparo: alagamentos como os vistos no RS podem ocorrer em muitos municípios brasileiros por conta da falta de planejamento (Nelson Almeida/AFP)

Paula Pacheco
Paula Pacheco

Jornalista

Publicado em 24 de junho de 2024 às 16h04.

Última atualização em 25 de junho de 2024 às 12h25.

Extremos climáticos, como o que foi registrado no Rio Grande do Sul em maio passado, deram ainda mais urgência aos projetos de saneamento. É o caso das obras de drenagem, que devem fazer parte de planos integrados para conter os estragos causados pelas enchentes.

No entanto, não se vê essa integração na prática. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (o SNIS, que a partir deste ano passa a ser o Sinisa), coletados em 2023 e referentes a 2022, mostram que os alagamentos no território gaúcho podem ocorrer em muitos municípios brasileiros por conta da falta de programas, de investimentos e de planejamento.

Os dados da Drenagem e Manejo das Águas Pluviais Urbanas (DMA-PU) mostram as algumas das principais carências:

  • 16,8% dos municípios possuem o Plano Diretor de DMA-PU;
  • 42,5% dos municípios possuem cadastro técnico do Sistema de DMA-PU;
  • Apenas 4,1% dos municípios possuem algum tipo de tratamento de águas pluviais;
  • 10,8% dos municípios possuem soluções de drenagem natural (como faixas e valas de infiltração em vias públicas);
  • Apenas 30,2 % dos municípios brasileiros possuem mapeamento de áreas de risco de inundação;

Análise profunda

Para o CEO da Telar Engenharia, Marco Botter, no caso do Rio Grande do Sul, avalia Marco Botter, CEO da Telar Engenharia, a reconstrução da infraestrutura exigirá uma avaliação de longo prazo. “As obras de reconstrução da infraestrutura do estado do Rio Grande do Sul são urgentes, mas não devem ser executadas sem uma profunda análise da nova realidade em que vivemos, com alto risco de eventos climáticos extremos, afirma.

“O que vimos no Rio Grande do Sul demonstrou que precisamos mudar a concepção dos projetos de obras hidráulicas adotados até agora. Será necessária a revisão dos parâmetros de chuva e seus períodos de retorno, o que implica a necessidade de trabalho conjunto de hidrólogos e climatologistas”, destaca o CEO da Telar Engenharia.

O empresário explica que a frequência com que as cidades têm sido atingidas por fenômenos climáticos extremos exige que a engenharia nacional reveja parâmetros tradicionais dos projetos das estruturas para drenagem e controle de enchentes. Com o aumento expressivo dos volumes pluviométricos, completa Botter, será preciso um redimensionamento das obras de engenharia.

O alerta dado a partir do que aconteceu no RS, o momento pós-Marco do Saneamento, com o amadurecimento dos projetos e dos processos de concessão e de Parcerias Público-Privado (PPPs), avalia o CEO da Telar Engenharia, devem acelerar os negócios para quem atua no setor. A empresa tem no seu portfólio obras como as canalizações dos córregos Pirajuçara, Antonico, Aricanduva, Jaguaré, Saracura (sob Avenida Nove de Julho) e Tiquatira, em São Paulo.

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