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Como a COP30 pode transformar a resiliência do fornecimento de energia?

Eventos climáticos extremos colocam a infraestrutura elétrica no centro do debate sobre adaptação e financiamento climático

Resiliência elétrica: enchentes no RS deixaram 2 milhões de famílias sem luz em 2024. (Ricardo Stuckert/Brazilian Presidency/AFP)

Resiliência elétrica: enchentes no RS deixaram 2 milhões de famílias sem luz em 2024. (Ricardo Stuckert/Brazilian Presidency/AFP)

Publicado em 6 de novembro de 2025 às 15h23.

Última atualização em 6 de novembro de 2025 às 15h24.

Tempestades com ventos de mais de 100 km/h deixaram 4,1 milhões de famílias sem energia, em novembro de 2023, em São Paulo. No ano seguinte, eventos climáticos extremos atingiram o Rio Grande do Sul, com enchentes que deixaram 2 milhões de famílias no escuro, prejudicando a economia e vários serviços públicos. O “novo normal” coloca a resiliência do setor elétrico no centro dos debates, e a COP 30 pode ser um momento central para discutir o seu financiamento.

O dramático aquecimento do planeta indica que esses eventos serão mais severos e frequentes. A Organização Mundial Meteorológica (OMM) apontou que o ano de 2024 foi o mais quente já registrado, com cerca de 1,55°C acima dos níveis pré-industriais. O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN) registrou que todos os meses apresentaram temperaturas acima da média histórica em relação ao período 1991-2020. O resultado foram eventos como ondas de calor, ondas de frio, chuvas intensas, secas e incêndios.

As Conferências das Partes (COPs) são encontros entre os países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), nos quais se negociam compromissos e mecanismos para enfrentar as mudanças climáticas, com base nos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Além da mitigação (reduzir emissões), a adaptação (preparar sociedades e infraestruturas para eventos climáticos extremos) compõem o debate diplomático.

As redes de distribuição são candidatas naturais a receber aportes de adaptação, porque configuram uma infraestrutura essencial e participam da agenda de justiça climática, ao garantirem a continuidade no fornecimento de energia a comunidades vulneráveis em caso de eventos climáticos extremos. Potenciais projetos de resiliência incluem enterramento de redes em áreas críticas, reforço estrutural de ativos e automação para resposta rápida.

Na COP 30, o financiamento climático será um dos eixos centrais. Em Baku, na COP 29, foi aprovada a nova meta coletiva quantificada (NCQG), com a cifra de US$ 300 bilhões anuais para o período 2025–2035, após intensos embates com países em desenvolvimento, que defendiam pelo menos US$ 1,3 trilhão. O resultado aquém das expectativas transfere para Belém o desafio de rediscutir os caminhos para maiores montantes e a operacionalização dessa nova meta: os mecanismos, instrumentos e critérios que garantirão que os recursos cheguem de forma transparente e eficaz a projetos concretos, inclusive os voltados à adaptação, historicamente subfinanciados.

Como país anfitrião, o Brasil tem a oportunidade de articular essa agenda de forma estratégica, conectando financiamento climático a prioridades de adaptação que constarão na Meta Global de Adaptação às Mudanças Climáticas, outra incumbência de Belém.

Adaptar as redes de distribuição é uma das formas mais concretas de transformar financiamento climático em benefícios reais para as populações. Nesse sentido, a COP 30 pode ser o espaço para dar concretude aos compromissos de financiamento para a resiliência das redes elétricas.

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