ESG

Patrocínio:

espro_fa64bd

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Brasil e China ampliam cooperação para recuperar solos degradados e preservar a Amazônia

Projetos são voltados à recuperação de ecossistemas tropicais

Cooperação Brasil-China: projetos buscam restaurar solos degradados e criar novos modelos sustentáveis de produção agrícola (Álvaro Resende/Embrapa Milho e Sorgo/Exame)

Cooperação Brasil-China: projetos buscam restaurar solos degradados e criar novos modelos sustentáveis de produção agrícola (Álvaro Resende/Embrapa Milho e Sorgo/Exame)

China2Brazil
China2Brazil

Agência

Publicado em 5 de novembro de 2025 às 18h17.

Desde 2023, Brasil e China desenvolvem dois projetos conjuntos voltados à recuperação de ecossistemas tropicais. Liderados pela Universidade de Hohai (China), com participação da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), da Universidade Estadual do Pará (UEPA) e de mais de dez instituições e empresas dos dois países, os projetos buscam restaurar solos degradados e criar novos modelos sustentáveis de produção agrícola.

O primeiro, Projeto de Cooperação Internacional China-Brasil para Recuperação de Solos Degradados e Proteção da Floresta Amazônica, e o segundo, Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas na Mata Atlântica e Proteção Florestal, têm foco em recuperar terras agrícolas exauridas e reduzir a pressão sobre as florestas tropicais.

Novos métodos

O professor Chen Lihua, da Universidade de Hohai, que lidera o projeto pelo lado chinês, explica que muitos agricultores da região ainda utilizam o método de “corte e queima”, técnica em que se derruba e queima a vegetação durante a seca para usar as cinzas como adubo. O processo destrói a cobertura vegetal, libera grandes quantidades de CO2 e reduz rapidamente a fertilidade do solo, obrigando o deslocamento constante para novas áreas.

Para testar alternativas, a equipe selecionou culturas locais como mandioca e açaí, avaliando a possibilidade de cultivar e recuperar o solo ao mesmo tempo. Os resultados indicam que é possível manter a produtividade sem abrir novas áreas: a produção cresceu entre 30% e 190%, a perda de microagregados caiu 90% e a perda de nutrientes foi reduzida em até 82%.

“Após a primeira colheita, o solo manteve a fertilidade e a segunda safra teve produção semelhante. Isso mostra que o cultivo contínuo pode ser sustentável”, afirma Chen.

Tecnologia de preservação

Com a comprovação dos resultados, o grupo iniciou o Projeto de Industrialização de Produtos de Recuperação de Solos na Amazônia, que introduz no Brasil tecnologias chinesas de fermentação de resíduos orgânicos e equipamentos para produzir fertilizantes locais específicos para solos tropicais. O objetivo é reduzir custos e facilitar o acesso dos agricultores a insumos mais eficientes.

Segundo Herdjania Veras, ex-reitora da UFRA, “adaptar a tecnologia chinesa à realidade amazônica fortalece a agricultura sustentável e contribui para a conservação da floresta”.

Outro eixo do programa é o desenvolvimento de sistemas de irrigação solar adequados ao clima amazônico, marcado por longos períodos de chuva e estiagem. A tecnologia, criada pela Universidade de Hohai em parceria com instituições brasileiras e empresas chinesas, garante irrigação mesmo na seca, ampliando a produtividade e a renda das famílias.

Para consolidar o novo modelo agrícola, os governos também estimulam o acesso a mercados internacionais. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional apoia parcerias entre estados da Amazônia e empresas chinesas para que pequenos produtores possam vender seus produtos em plataformas digitais voltadas à China e a outros países.

“Com uma renda estável, poderemos manter o novo modelo e não precisaremos abrir novas áreas na floresta”, diz o agricultor Edivaldo, participante do projeto.

A cooperação sino-brasileira reforça a integração entre países do Sul Global no combate às mudanças climáticas. As ações conjuntas mostram que inovação tecnológica e colaboração internacional podem alinhar aumento de renda, recuperação de ecossistemas e preservação ambiental.

Com esses esforços, a Amazônia pode continuar exercendo sua função vital como um dos principais reservatórios de biodiversidade e regulação climática do planeta, uma meta compartilhada por brasileiros e chineses em prol da sustentabilidade global.

Acompanhe tudo sobre:AgriculturaBrasil-China

Mais de ESG

NASA planeja instalar usina nuclear na Lua até 2030

Tratado Global dos Oceanos entra em vigor neste sábado após 20 anos de impasse

Microsoft compra 2,85 milhões de créditos de carbono de solo

Beija-Flor aposta em impressão 3D para reduzir impacto ambiental do Carnaval