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Bill Gates defende nova estratégia climática antes da COP30

Bilionário propõe que o mundo troque o foco de metas de temperatura para investimentos em saúde, agricultura e adaptação climática

Bill Gates: 'devemos priorizar as coisas que têm o maior impacto sobre o bem-estar humano' (Patrick van Katwijk/Getty Images)

Bill Gates: 'devemos priorizar as coisas que têm o maior impacto sobre o bem-estar humano' (Patrick van Katwijk/Getty Images)

Publicado em 28 de outubro de 2025 às 09h49.

Última atualização em 28 de outubro de 2025 às 09h50.

O bilionário e filantropo Bill Gates defendeu nesta terça-feira, 28, uma mudança de foco na estratégia global de combate às mudanças climáticas antes da COP30, que será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém, no Pará.

Segundo ele, os líderes mundiais devem priorizar investimentos em infraestrutura, saúde, agricultura e adaptação a eventos climáticos extremos, em vez de concentrar esforços exclusivamente em metas de redução de temperatura.

Em um post publicado em seu blog, Gates afirmou que a conferência no Brasil representa uma oportunidade para “ajustar as estratégias” e colocar o bem-estar humano no centro das discussões. “A COP30 é um excelente lugar para começar, especialmente porque a liderança brasileira está colocando a adaptação climática e o desenvolvimento humano no topo da agenda”, escreveu.

Mudança de foco

O investidor destacou que o mundo passou a última década tentando cumprir as metas do Acordo de Paris, que busca limitar o aquecimento global bem abaixo de 2 °C até meados do século. Segundo ele, embora a mudança climática seja séria, “não levará à extinção da civilização” e o debate deve levar em conta as reais necessidades das populações mais vulneráveis.

Gates pediu que governos e doadores avaliem se o dinheiro destinado à crise climática está sendo gasto da forma mais eficaz e defendeu o uso de dados para maximizar resultados. Ele ressaltou que investimentos em energia limpa acessível, saúde e agricultura podem gerar benefícios mais amplos e equitativos do que metas puramente de temperatura.

O bilionário também lembrou que, ao longo do último século, as mortes diretas causadas por desastres naturais caíram cerca de 90%, para entre 40 mil e 50 mil por ano, em grande parte graças a sistemas de alerta e infraestrutura mais resiliente.

Com a conferência prestes a acontecer no Brasil, Gates defendeu uma mudança de rumo na estratégia climática global. “Devemos priorizar as coisas que têm o maior impacto sobre o bem-estar humano”, escreveu. “É a melhor maneira de garantir que todos tenham a chance de viver uma vida saudável e produtiva, não importa onde tenham nascido — e em qual clima.”

Bill Gates desembarcou dos compromissos climáticos?

Em março, a Breakthrough Energy, organização climática financiada pelo bilionário, demitiu dezenas de funcionários nos Estados Unidos e na Europa, sinalizando o abandono do trabalho de advocacy em políticas públicas, até então um pilar fundamental de sua missão original.

De acordo com reportagens publicadas por veículos internacionais, o grupo demitiu todo o time europeu, bem como toda a equipe de políticas públicas nos EUA, além dos profissionais responsáveis por parcerias com outras organizações com foco em clima e meio ambiente.

A decisão veio meses após o inicio do governo de Donald Trump e em meio a tentativas dos republicanos de partes da legislação climática do governo Biden, que Gates ajudou a aprovar no Congresso em 2022.

Na época, em comunicado, a organização afirmou que o cofundador da Microsoft "segue tão comprometido quanto sempre com o avanço das inovações em energia limpa necessárias para enfrentar as mudanças do clima", acrescentando ainda que seu trabalho nesta área continuará focado em ajudar a impulsionar soluções energéticas limpas, confiáveis e acessíveis.

Com fortuna estimada em US$ 160,3 bilhões, Bill Gates é um conhecido defensor de ações contra mudanças climáticas. Em livro publicado em 2021, ele escreveu que "desenvolver novas políticas" era essencial para implementar tecnologias climáticas avançadas. "Nos Estados Unidos, a conversa sobre clima foi desviada pela política. Alguns dias, parece que temos pouca esperança de conseguir qualquer progresso", afirmou na obra.

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