Bilionários nunca doaram tanto como na pandemia. E escolhem novos alvos

Volume doado superou marca de 7 bilhões de dólares de março a junho, por meio de repasses de 209 bilionários no mundo

Quando Warren Buffett fez uma doação de ações da sua holding Berkshire Hathaway para cinco instituições de caridade, em montante equivalente a 2,9 bilhões de dólares, em julho, não foi um ato isolado.

A pandemia do novo coronavírus despertou uma onda global de doações pelas pessoas mais ricas do mundo. É um volume recorde de filantropia que chegou a 7,2 bilhões de março a junho, por meio de repasses de 209 bilionários, segundo relatório do banco suíço UBS com a consultoria PwC.

A conta não inclui a doação do fundador da Duty Free, Charles “Chuck” Feeney, de 89 anos, que realizou um sonho inusitado no mês passado: doar toda a sua fortuna enquanto vivo.

O volume reportado no estudo tende a ser ainda maior, de acordo com os autores, na medida em que muitas doações não foram divulgadas ou se deram por meio do pagamento de tratamento para a covid-19, algo mais difícill de ser mensurado.

“São os dias iniciais, mas bilionários podem estar diante de um ponto de inflexão, direcionando energia e riqueza para atacar problemas socioambientais que a pandemia e os recentes desastres naturais destacaram. Vários sinais sugerem isso”, escrevem os autores do estudo.

“Empreendedores estão se tornando filantropistas mais cedo em suas carreiras do que o previsto”, afirmam.

É preciso fazer a ressalva, porém, de que a fortuna das pessoas mais abastadas do mundo também cresce de maneira expressiva. Do valor de recorde 8,9 trilhões de dólares ao fim de 2007, o patrimônio somado dos bilionários atingiu 10,2 trilhões em julho passado.

As doações financeiras foram a forma predominante de filantropia na pandemia, respondendo por 5,5 bilhões: nessa categoria entram repasses a hospitais e para a compra de equipamentos como ventiladores mecânicos e máscaras de proteção.

Mas houve também doações não tão usuais: a adaptação de fábricas próprias  para a produção de equipamentos de tratamento em hospitais e até de álcool em gel foi avaliada em 1,4 bilhão, de acordo com o relatório do UBS e da PwC.

Por fim, a nova e crescente onda do investimento de impacto se fez presente com um total de 337 milhões de dólares, em exemplos como a construção de instalações dedicadas à produção futura de vacinas.

Bill Gates, cofundador da Microsoft, havia doado neste ano até agosto 350 milhões de dólares para esse fim e a distribuição de vacinas a países pobres, por meio da Fundação Bill & Melinda Gates. Esses valores entraram parcialmente na conta do estudo.

Na classificação das doações por países, bilionários dos Estados Unidos, da China, da Índia, da Austrália e do Reino Unido formaram o top 5 das doações em meio à pandemia.

 

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