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Na nova edição do projeto, consumidores podem levar peças usadas ao caixa de qualquer uma das lojas da rede (Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 17h07.
Última atualização em 10 de setembro de 2026 às 17h30.
O que acontece com uma peça depois que ela deixa o guarda-roupa? Foi a partir dessa provocação que a Animale criou, em 2018, um projeto de moda circular que busca prolongar a vida útil das roupas e criar novas histórias para peças que ainda podem circular.
Neste mês de setembro, o Animale Vintage chega à sua 8ª edição com uma novidade: pela primeira vez, todas as lojas da marca passam a receber peças usadas. Desde sua criação, a ação já arrecadou mais de 750 mil peças e destinou cerca de R$ 1 milhão em recursos para instituições sociais.
A estratégia da marca carioca parte de uma visão que vai além da reciclagem. Antes de transformar uma roupa novamente em matéria-prima, a aposta é em ampliar o tempo de uso dos produtos, criando novas possibilidades para peças que ainda despertam valor e desejo.
Para participar, o consumidor deve entregar diretamente aos vendedores as peças femininas usadas de qualquer marca, para uma avaliação inicial. De acordo com os critérios, os mesmos podem gerar créditos para a aquisição de uma nova coleção ou ser destinados a instituições parceiras.
Outra frente é o Vintage Shop, que reúne peças icônicas da própria Animale e coloca novamente em circulação criações da marca que atravessaram diferentes momentos da trajetória da empresa. Nesta etapa, 100% do lucro das vendas é destinado a organizações sociais.
“Quanto mais qualidade, relevância e atemporalidade uma peça tiver, maior é a oportunidade dela mudar de mão e contar novas histórias”, afirma Bel Yunes, diretora criativa e de estilo da Animale, em entrevista à EXAME.
Para a executiva, a circularidade começa no processo de criação e faz parte de uma visão mais ampla: colocar a sustentabilidade no centro das decisões do negócio.
"O Vintage Shop é um retrato dessa ideia: são peças de diferentes momentos que, mesmo anos depois, continuam fazendo sentido e despertando desejo”, destaca Bel.
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A primeira etapa do projeto acontece nas lojas da rede, onde consumidores entregam peças usadas para avaliação. Em outubro, a iniciativa avança com o Vintage Shop, que coloca à venda uma seleção de peças da própria Animale e destina 100% do lucro das vendas a organizações sociais parceiras.
Entre as beneficiadas estão o Instituto Donas de Si, Redes da Maré, Providenciando, Gerando Falcões, Angélica Goulart e Costurando Sonhos.
Na edição de 2025, o projeto arrecadou 215 mil peças. Desse total, 65.877 itens foram destinados a seis ONGs, enquanto R$ 160 mil foram integralmente revertidos para o Lab de Moda do Instituto Donas de Si, no Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro.
Para Bel, um dos principais desafios da moda circular está justamente na complexidade da reciclagem têxtil. A combinação de diferentes fibras e materiais torna o processo mais difícil e reforça a necessidade de pensar em alternativas antes que uma peça chegue ao fim de sua vida útil.
“Quando falamos em circularidade, não precisamos falar só de reciclagem. Antes de transformar uma peça novamente em matéria-prima, precisamos pensar em como prolongar o ciclo, a vida desse produto”, afirma a diretora.
Essa visão também influencia o processo criativo da marca. Segundo a diretora, a construção de peças com maior durabilidade e relevância é parte da estratégia para reduzir impactos.
“O olhar para a circularidade começa na criação", complementa.
O projeto faz parte de uma agenda mais ampla de sustentabilidade da Animale, que envolve diferentes etapas da cadeia produtiva. Para Bel, um dos principais caminhos rumo à descarbonização está em aproximar fornecedores.
“O primeiro passo é trazê-los para perto. É conhecer melhor essa cadeia, compartilhar objetivos, estabelecer critérios e construir juntos alternativas para reduzir impactos”, diz.
Segundo ela, esse processo envolve avaliar oportunidades de melhoria em diferentes etapas, desde a escolha de matérias-primas até processos produtivos e transporte.
“O Animale Vintage traduz isso na prática porque atua em diferentes frentes: prolonga a vida das peças, faz a gente repensar o consumo e conecta esse movimento com impacto social", conclui.