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'A luta contra a mudança climática tem rosto', diz Angela Merkel sobre comunidades da Amazônia

A ex-chanceler da Alemanha também fez um alerta sobre as recentes e recordes ondas de calor na Europa e criticou a baixa cooperação internacional para enfrentar a crise climática

Angela Merkel: ex-chanceler da Alemanha fez discurso sobre crise climática (Divulgação Fundação Gulbenkian)

Angela Merkel: ex-chanceler da Alemanha fez discurso sobre crise climática (Divulgação Fundação Gulbenkian)

Amazônia Vox
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Publicado em 24 de setembro de 2026 às 13h32.

Última atualização em 24 de setembro de 2026 às 13h35.

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*Texto de Daniel Nardin

A ex-chanceler da Alemanha, Angela Merkel fez um alerta sobre as recentes e recordes ondas de calor na Europa, que este ano ultrapassaram os níveis de 2025 e criticou a baixa cooperação internacional para enfrentar a crise climática.

Durante seu discurso na cerimônia de entrega do Prêmio Gulbenkian para a Humanidade, realizado na noite desta quarta-feira, 23, em Lisboa (Portugal), Merkel também destacou o empenho e esforço de organizações e comunidades do Sul Global. A ex-chanceler é presidente do comitê de jurados do prêmio, que é realizado desde 2020 e concede 1 milhão de euros aos ganhadores.

Ao mencionar os vencedores deste ano, a organização indígena Alianza Ceibo, que une quatro povos indígenas do Equador, Colômbia e Peru, comentou que a luta contra a crise climática tem rosto e que iniciativas como a Alianza Ceibo devem ser apoiadas e inspirar outras ações pelo mundo.

“O trabalho que realizam é a proteção climática que se vive no dia a dia e é efetiva, como ela deve ser: local, sustentável e autodeterminada pelas pessoas que vivem da e com a natureza”, afirmou.

Ao citar as conquistas da Alianza Ceibo, fez uma breve crítica à redução do esforço multilateral internacional para a ação climática.

“Esta integração (realizada pela Alianza Ceibo) é um grande exemplo do fato de que a cooperação e o trabalho conjunto transfronteiriço para a proteção climática são indispensáveis. Isto vale, aliás, segundo a minha convicção, em geral e também para a cooperação política multilateral. Isto hoje em dia, infelizmente, é muitas vezes negado”, afirmou.

Vale lembrar que Angela Merkel foi Ministra Federal do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha. Em 1995, presidiu a COP 1, a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, realizada em Berlim.

Calor extremo: durante o verão europeu de 2026, diversas partes do Sul do continente passaram por incêndios florestais de grandes proporções, como Portugal, Espanha e França (Patrícia DE MELO MOREIRA/AFP)

Em seu discurso, Merkel também apresentou dados recentes do monitoramento da temperatura e os alertas da ciência para a crise climática.

Conforme destacou, a crise climática atravessa a questão ambiental e atinge diretamente a saúde das pessoas, mas também impactam todos setores, inclusive a economia.

“Isto não é apenas sob a perspetiva da política de saúde e ambiental um grande problema. A política tenta encontrar soluções de curto prazo, muitas vezes, no entanto, infelizmente apenas com êxito moderado”, lamentou.

No entanto, reforçou que a crise que é cada vez mais evidente deve servir de motivação para a ação.

“Esta evolução (dos indicadores de temperatura e seus impactos)é extremamente preocupante. Mas ela é, precisamente por causa das consequências drásticas e perceptíveis, mais do que nunca também impulso e motivação para não esmorecer nos esforços pela proteção climática”, comentou.

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