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Energia limpa: transição energética reposiciona o alumínio no centro das estratégias de descarbonização (CBA/Divulgação)
EXAME Solutions
Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 10h06.
Última atualização em 26 de fevereiro de 2026 às 10h06.
A corrida global pela transição energética reposicionou o alumínio no centro das estratégias de descarbonização da economia. Essencial para setores como transporte, geração e transmissão de energia e construção civil, o metal passou a ser tratado como importante insumo por reunir atributos técnicos que permitem reduzir emissões: leveza, durabilidade, condutividade elétrica e a capacidade de ser reciclado infinitas vezes sem perder suas propriedades de origem. De acordo com o estudo “Coalizão Minerais Essenciais: Contribuição do Setor de Mineração para a Descarbonização e a Transição Energética”, liderado pelo CEBDS, a projeção de demanda global por bauxita para aplicações da transição energética (2050 vs. 2024) teve aumento de 2,2 vezes.
O movimento não se limita ao avanço tecnológico. A bauxita, minério do qual o alumínio é extraído, passou a integrar listas internacionais de minerais críticos e estratégicos nesse contexto, o que reforça o papel do metal na viabilização de uma economia de baixo carbono.
Na prática, a disponibilidade e a forma de produção do alumínio tornaram-se fatores relevantes para políticas industriais e cadeias globais de suprimento.
O uso disseminado do metal no cotidiano — da construção civil à eletrificação veicular, geração e transmissão de energia, bens de consumo, embalagens de alimentos, medicamentos, cosméticos e produtos de higiene — ajuda a explicar sua relevância econômica.
“A transição energética exige materiais capazes de reduzir emissões em escala, e o alumínio responde a esse desafio porque está presente em cadeias produtivas essenciais — do transporte à infraestrutura de energia. Não é uma solução isolada, mas um insumo que viabiliza outras transformações”, destaca Luciano Alves, CEO da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).
No setor de transportes, o alumínio contribui diretamente para a redução do peso dos veículos, o que melhora a eficiência energética, reduz o consumo de combustível e diminui as emissões de gases de efeito estufa.
O menor peso do alumínio também viabiliza o avanço da eletrificação dos veículos, já que o metal é amplamente utilizado em componentes estruturais, sistemas de proteção e caixas de baterias (estas últimas se beneficiam de melhores condições de resfriamento graças à alta condutividade térmica do metal). Além disso, na eletrificação veicular — uma das principais transformações da indústria automotiva —, o alumínio se destaca por reduzir significativamente o peso do veículo, aumentando a eficiência energética e a autonomia, o que contribui para diminuir o consumo e a dependência de combustível e, consequentemente, as emissões de carbono.
No transporte coletivo, projetos industriais recentes indicam ganhos operacionais e ambientais. A substituição da fibra de vidro por alumínio no teto de carrocerias de ônibus, desenvolvida em uma parceria da CBA com a Marcopolo, resultou em melhor acabamento, maior resistência estrutural e redução do peso do veículo. A mudança se reflete em menor consumo de combustível e, consequentemente, em menos emissões durante a operação.
Outro vetor de demanda está na infraestrutura elétrica. Estudo do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) aponta que, entre 2024 e 2034, o alumínio será um material-chave na construção de torres e estruturas de transmissão de energia no país, justamente por ser leve, resistente à corrosão e eficiente em aplicações elétricas.
Na construção civil, o alumínio contribui para a redução de custos de manutenção ao longo do tempo, melhora o desempenho térmico das edificações e permite aplicações versáteis em esquadrias, fachadas, portas e janelas.
A CBA é hoje a única produtora integrada do metal no país, com atuação que vai da mineração à transformação e à reciclagem.
Em um setor no qual a intensidade de emissões de gases de efeito estufa passou a ser um indicador central, o alumínio de baixo carbono é definido como aquele cuja produção emite até 4 toneladas de CO₂ equivalente por tonelada de alumínio líquido. A CBA opera com índice de 2,87 toneladas de CO₂ equivalente por tonelada de alumínio líquido produzido na etapa de eletrólise, valor quase quatro vezes inferior à média mundial, de acordo com o International Aluminium Institute (IAI).
A base energética utilizada no processo produtivo ajuda a explicar esse desempenho: a Companhia tem capacidade de gerar 100% da energia consumida no processo produtivo a partir de fontes renováveis (hidrelétricas e eólicas). A Refinaria de Alumina, operada pela Empresa, utiliza biomassa em substituição ao óleo ou gás natural em suas caldeiras e é apontada pela consultoria CRU como a de menor emissão de carbono do mundo.
Mesmo posicionada no primeiro quartil da curva global de emissões da indústria do alumínio, a CBA estabeleceu a meta de reduzir em 40% suas emissões entre as etapas da mineração e da fundição do metal até 2030.
Desde 2019, a Empresa registrou redução acumulada de 33% e adesão a compromissos internacionais de reporte e metas climáticas, como a Science Based Targets initiative (SBTi) e o Carbon Disclosure Project (CDP).
O Brasil aparece com frequência nas discussões sobre o papel do alumínio na transição energética. “O país combina matriz elétrica majoritariamente renovável, indústria instalada, mercado consumidor expressivo e reservas relevantes de bauxita”, diz Luciano Alves.
Produzir alumínio com energia renovável, segundo o executivo, “deixa de ser apenas uma vantagem ambiental e passa a ser um fator de acesso a mercados, especialmente em cadeias industriais mais exigentes”.
Além da mitigação das emissões, a agenda climática envolve adaptação. A Iniciativa Ação Climática, desenvolvida pela CBA em parceria com o Instituto Votorantim e o Instituto Itaúsa, atua no fortalecimento da gestão pública de municípios de pequeno e médio porte para enfrentar os impactos das mudanças do clima.
A plataforma reúne ferramentas como o Índice de Vulnerabilidade Climática (IVCM), um checklist para avaliação do nível de maturidade em adaptação climática para gestores públicos e um programa de mentoria e assessoria técnica para evolução da maturidade, com implementação iniciada em municípios como Juquitiba (SP), Juquiá (SP), Muriaé (MG) e Niquelândia (GO). A proposta está baseada no conceito de justiça climática, na preparação para emergências e na construção de resiliência climática dos territórios.
Ao conectar produção industrial sustentável, infraestrutura e políticas públicas, o alumínio se consolida como um dos principais insumos da transição energética — inclusive como vetor de competitividade econômica em um cenário global cada vez mais pressionado pela agenda climática.