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Estudo mostra que desmatamento também é questão de saúde

Segundo relatório da WWF-Brasil, desflorestamento e queimadas são responsáveis por aumento nos casos de zoonoses e de problemas respiratórios
 (Bruno Kelly/Amazonia Real/Divulgação)
(Bruno Kelly/Amazonia Real/Divulgação)
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Esfera BrasilPublicado em 13/07/2022 às 09:00.

São inúmeros os prejuízos causados pelo desmatamento. Um estudo da ONG brasileira WWF-Brasil mostrou que o desflorestamento e as queimadas na Amazônia estão relacionados a problemas de saúde causados pela poluição do ar e por transmissão de vetores contaminados por doenças. De acordo com o levantamento, um aumento de 10% no desmatamento leva a um crescimento de 3,3% na incidência da malária, por exemplo, uma vez que a derrubada e sua grande quantidade de resíduos alteram os ecossistemas da região e a proliferação de mosquitos.

A conclusão é de que, durante o último século, em média, dois novos vírus por ano se espalharam de hospedeiros animais para as populações humanas (como é o caso do ebola, MERS, SARS e zika). O risco de surgimento de novas zoonoses em florestas tropicais é maior, por causa da sua grande diversidade de roedores, primatas e morcegos. 

O relatório mostra ainda que 24 milhões de pessoas que vivem na Amazônia são afetadas pela fumaça decorrente das queimadas que ocorrem na região. Por conta dos incêndios, o ar da floresta, geralmente muito limpo, passa a ser causador de falta de ar, tosse e danos pulmonares. A estimativa é que essa fumaça tóxica seja responsável por 80% do aumento regional da poluição por partículas finas. Outro dado apresentado é que durante a “estação das queimadas” na Amazônia brasileira (entre julho e outubro), aproximadamente 120 mil pessoas são hospitalizadas por ano devido a problemas de asma, bronquite e pneumonia.

Gerente de ciências do WWF-Brasil, Mariana Napolitano reafirma que a degradação e supressão da floresta pode trazer riscos graves à saúde humana. “O Brasil está entre os países campeões de desmatamento de floresta e outros biomas. Essas perdas impactam diretamente o clima e favorecem o surgimento de novas zoonoses provenientes do desequilíbrio ambiental. Cuidar do planeta é efetivamente cuidar da saúde”, avalia Napolitano.

Segundo o relatório da WWF-Brasil, a dinâmica de expansão pecuária-agricultura é considerada a principal causa do desmatamento no Brasil e das emissões de carbono. Na Amazônia, entre 2000 e 2020, mais de 40 milhões de hectares de florestas foram convertidas em pastagens. Mas, no lugar das monoculturas de commodities agrícolas produzidas nessas áreas desmatadas, o extrativismo e os sistemas agroflorestais protegeriam a agrobiodiversidade, sustentariam a subsistência humana, segurança alimentar e soberania, e protegeriam serviços ecossistêmicos importantes, como conservação do solo e da água.