O conjunto de medidas visa tratar a questão da saúde pública no Brasil relacionada à dependência em jogos (Hirurg/Getty Images)
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Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 20h16.
Diante do aumento de casos no Sistema Único de Saúde (SUS), entre 2018 e 2025, em atendimento para as pessoas que sofrem com problemas causados por jogos de apostas, as chamadas bets, o Ministério da Saúde criou o “Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Aposta”.
A iniciativa é parte da estratégia de proteção e cuidado à saúde mental da população, que conta com ações como a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, a Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas e o Observatório Saúde Brasil de Apostas, que é um acordo de cooperação técnica entre Ministério da Saúde e Ministério da Fazenda.
O conjunto de medidas visa tratar a questão da saúde pública no Brasil relacionada à dependência em jogos, que inclui fatores como ansiedade, depressão, o impacto financeiro e social com endividamento, perda de vínculos e afastamentos dos familiares na vida dos jogadores.
O Guia, que faz parte da Linha de Cuidado, é um documento que estipula orientações clínicas e tem como objetivo apoiar gestores e trabalhadores das Redes de Atenção à Saúde do SUS e, principalmente, nos pontos de atenção da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) no tratamento dos pacientes.
A Linha de Cuidado prevê atendimento presencial e online (teleatendimento) em saúde mental com foco em jogos de apostas a partir de fevereiro de 2026, na rede pública, através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional (Proadi-SUS), em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Serão 450 atendimentos online por mês e, quando necessário, os pacientes serão conduzidos ao atendimento presencial.
Como identificar dependência aos jogos
As situações a seguir, apresentadas no Guia, exemplificam quando a pessoa está com problemas relacionados aos jogos e como as equipes do SUS atuam no atendimento:
Quando há comportamento de preocupação, alterações do sono e irritabilidade sem grandes prejuízos nas relações. O Guia orienta o atendimento na Atenção Primária à Saúde (APS), que visa ações de redução de danos, escuta e acompanhamento psicossocial;
Quando o sofrimento emocional é intenso e existem conflitos familiares, prejuízos sociais e financeiros, além de dificuldade de convívio. O acompanhamento, então, é realizado entre a APS, o CAPS e uma rede intersetorial, com atendimentos individuais, grupos terapêuticos, apoio à família e oficinas;
Quando há perda de controle sobre as apostas, com risco de suicídio, endividamento extremo, rompimento e afastamento de vínculos e falta de suporte social. Nessa situação, o cuidado é realizado entre o CAPS, assistência social, hospital geral, serviços de emergência e urgência, que priorizam proteção e acompanhamento contínuo.
As estratégias de prevenção orientadas para manter o jogo como lazer são evitar jogar enquanto consome álcool e outras drogas; evitar jogar em momentos de estresse, tristeza ou ansiedade; conversar com familiares e amigos e buscar apoio profissional em caso de dificuldade para controlar a atividade.
Já as práticas para reduzir os danos nas plataformas online são: usar temporizadores no celular para interromper as apostas, desativar notificações sobre apostas nos sites e aplicativos, definir limites de depósito e tempo para controlar quanto e como jogar e, criar uma conta bancária exclusiva para o jogo, com valor fixo e limites de transferências.
Outra alternativa é a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, iniciativa da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, para o usuário realizar o bloqueio do acesso aos jogos on-line e ajudar no autocontrole.
Para aderir, é necessário fazer um cadastro com login e senha no site Gov.br, solicitar a autoexclusão de jogos on-line e escolher quanto tempo deseja o bloqueio do acesso a esses jogos (o período varia de um mês a tempo indeterminado).