Economia

Selic pode cair mais devagar com economia forte e risco fiscal, diz Pessoa

Economista do BTG vê atividade acima do esperado e alerta que juros podem encerrar 2026 acima de 12%

Publicado em 1 de abril de 2026 às 06h00.

Última atualização em 1 de abril de 2026 às 06h11.

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A taxa básica de juros deve seguir em queda no Brasil, mas em ritmo mais lento do que o previsto no início do ano, diante de uma economia ainda aquecida e de pressões fiscais, segundo o economista Samuel Pessoa no programa Macro em Pauta da EXAME.

Pesquisador do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) e da FGV Ibre, Pessoa afirma que o Copom tem atuado de forma consistente, sem surpresas para o mercado, mas enfrenta um cenário mais desafiador, com atividade econômica acima das expectativas.

A autoridade monetária reduziu recentemente a Selic em 0,25 ponto percentual, após meses de estabilidade, mas o cenário indica maior cautela para os próximos passos.

Economia ainda aquecida

Apesar do início do ciclo de cortes, Pessoa avalia que a economia brasileira segue operando acima do nível considerado sustentável.

“A economia já desacelerou, mas ainda está superaquecida”, afirmou.

Dados recentes mostram mercado de trabalho apertado, com taxa de desemprego próxima de 5,5%, abaixo do nível de equilíbrio estimado pelo economista, em torno de 7%.

Esse cenário pressiona salários e mantém a inflação de serviços em patamar elevado, ainda que sem sinais recentes de aceleração.

Outro fator de atenção é a política fiscal. Segundo Pessoa, a expansão dos gastos públicos e medidas de estímulo ao crédito — como o consignado para trabalhadores CLT — têm sustentado a atividade econômica.

“A política fiscal não está sincronizada com a monetária, o que dificulta a queda dos juros”, disse.

Projeções e riscos no radar

A equipe do BTG ainda projeta a Selic em 12% ao fim de 2026, mas já discute revisões para cima, possivelmente para 12,5%, segundo Pessoa.

Entre os principais riscos, Pessoa cita a dinâmica doméstica e o cenário externo. No Brasil, a possível reaceleração de gastos em ano eleitoral pode manter a demanda aquecida por mais tempo.

No exterior, o choque de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio tende a pressionar a inflação global, enquanto os juros nos Estados Unidos devem permanecer elevados por mais tempo.

Esse ambiente reduz o espaço para cortes mais agressivos da taxa de juros no Brasil.

Banco Central tenta evitar “banho gelado”

Pessoa compara a condução da política monetária a um ajuste fino, semelhante a regular a temperatura do chuveiro: agir tarde demais pode levar a uma mudança brusca no resultado.

“Se o Banco Central atrasar demais, pode provocar uma queda forte da economia”, afirmou.

Segundo ele, iniciar o corte de juros antes de uma desaceleração mais intensa ajuda a evitar uma recessão no futuro.

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