Repórter
Publicado em 31 de março de 2026 às 16h44.
Última atualização em 31 de março de 2026 às 17h35.
A taxa de pobreza da Argentina atingiu 28,2% da população no segundo semestre de 2025, com recuo de 3,4 pontos percentuais em relação ao semestre anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), nesta terça-feira, 31.
De acordo com relatório, a taxa de extrema pobreza ficou em 6,3% no mesmo período, uma queda de 0,6 ponto percentual na comparação semestral. O indicador representa o menor nível de pobreza desde o primeiro semestre de 2018, quando o índice era de 27,3%.
Na comparação anual, a taxa de pobreza recuou cerca de 9,9 pontos percentuais no segundo semestre de 2025, enquanto a extrema pobreza caiu 1,9 ponto percentual. Os dados refletem uma trajetória de redução após os picos registrados ao longo do ano anterior.
Entre os grupos etários, crianças e adolescentes de até 14 anos concentram os maiores índices, com 41,3% em situação de pobreza e 8,6% em extrema pobreza. Jovens de 15 a 29 anos aparecem na sequência, com taxas de 32,6% e 8,4%, respectivamente. Os dados indicam maior incidência de vulnerabilidade entre faixas etárias mais jovens.
A metodologia do Indec considera 31 centros urbanos, que reúnem cerca de 30 milhões de habitantes, de um total aproximado de 46,4 milhões no país. Entre as cidades analisadas, Concordia apresenta o maior índice de pobreza, com 49,9%, além de registrar níveis elevados de população sem acesso pleno a necessidades básicas.
No primeiro semestre de 2024, a taxa de pobreza atingiu 52,9%, o maior patamar desde 2003, em um contexto de inflação elevada e ajustes econômicos no início do governo de Javier Milei.
A desaceleração da inflação aparece como um dos fatores associados à queda recente dos indicadores, com a taxa passando de 117,8% em dezembro de 2024 para 31,5% em dezembro de 2025.
Apesar da redução, especialistas apontam que aspectos metodológicos podem influenciar os resultados divulgados, indicando a necessidade de análise complementar dos dados sobre pobreza e extrema pobreza no país.
#DatoINDEC
En el 2° semestre de 2025, la pobreza alcanzó al 21,0% de los hogares en el que residen el 28,2% de las personas que releva la Encuesta Permanente de Hogares (EPH) en 31 aglomerados urbanos https://t.co/7ggyhLa7VK pic.twitter.com/i6RGbqTIA0— INDEC Argentina (@INDECArgentina) March 31, 2026
A divulgação ocorre em um contexto de pressão sobre o presidente Javier Milei, que enfrenta desafios relacionados à condução da economia. Apesar do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, a expansão se concentrou em setores específicos, sem reflexo amplo no consumo[/grifar].
Indicadores recentes apontam que o nível de consumo segue baixo no país, enquanto a taxa de desemprego alcança o maior patamar desde a pandemia de Covid-19, sinalizando fragilidade no mercado de trabalho.