Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 15h32.
Última atualização em 12 de janeiro de 2026 às 16h57.
As disparidades salariais entre estados brasileiros devem se aprofundar até 2026, segundo projeções da consultoria Gi Group Holding reunidas no Guia Estratégico de Remuneração da INTOO, sua unidade de desenvolvimento de carreira.
O levantamento reforça que o Distrito Federal e São Paulo continuarão liderando as faixas de remuneração no país, enquanto Maranhão, Ceará e Bahia seguirão entre os menores salários médios.
A estimativa é de que o salário médio nacional atinja R$ 3.548 em 2026, com crescimento nominal de cerca de 10% em dois anos . Mas o avanço não será homogêneo.
O DF, por exemplo, deve alcançar R$ 5.547, puxado pela forte presença do funcionalismo e de serviços especializados.
Em segundo lugar, São Paulo projeta média de R$ 4.298, reflexo da maior densidade corporativa do país.
Outros estados com economias consolidadas, como Paraná (R$ 4.134), Rio de Janeiro (R$ 4.106), Santa Catarina (R$ 4.068) e Rio Grande do Sul (R$ 3.996), também permanecem acima da média nacional.
A explicação está na presença de cadeias produtivas industriais, inovação tecnológica e maior grau de formalização.
Na outra ponta, o estudo aponta que Maranhão, Bahia, Ceará e Piauí devem ter salários entre R$ 2.254 e R$ 2.423 em 2026.
Segundo Candice Fernandes, business manager da INTOO, essas diferenças refletem a “geografia da qualificação profissional” no Brasil.
“Estados que concentram tecnologia, educação superior e cadeias de valor globais tendem a pagar salários significativamente mais altos. Já regiões que ainda passam por processos de industrialização ou digitalização ficam mais vulneráveis a médias reduzidas”, afirma.
A especialista também destaca que os modelos de trabalho híbrido e remoto poderiam mitigar parte dessas distorções, mas a concentração de vagas estratégicas ainda favorece profissionais próximos a grandes centros urbanos .
“A flexibilização territorial melhora as oportunidades, mas os cargos de alta qualificação continuam centralizados nos principais polos", diz.
Para 2026, a INTOO aponta que iniciativas de desenvolvimento regional, investimentos em educação técnica e programas corporativos de formação podem atenuar essas disparidades. Contudo, o cenário projetado ainda indica forte concentração de renda nas regiões mais ricas do país.
Segundo o estudo, "os maiores salários continuarão concentrados onde estão a inovação, a tecnologia e a demanda por profissionais híbridos, capazes de operar entre dados, gestão e habilidades humanas".
| Estado | Salário médio 2024 (R$) | Projeção 2026 (R$) | Observações |
|---|---|---|---|
| Distrito Federal | 5.043 | 5.547 | Maior do país, impulsionado por funcionalismo público. |
| São Paulo | 3.907 | 4.298 | Alta concentração de indústrias e serviços. |
| Paraná | 3.758 | 4.134 | Forte em agronegócio e manufatura. |
| Rio de Janeiro | 3.733 | 4.106 | Influenciado por petróleo e turismo. |
| Santa Catarina | 3.698 | 4.068 | Indústria têxtil e tecnologia. |
| Rio Grande do Sul | 3.633 | 3.996 | Agronegócio e manufatura. |
| Mato Grosso | 3.510 | 3.861 | Agronegócio em expansão. |
| Mato Grosso do Sul | 3.390 | 3.723 | Pecuária e energia. |
| Espírito Santo | 3.231 | 3.554 | Mineração e petróleo. |
| Goiás | 3.196 | 3.516 | Agronegócio e serviços. |
| Rondônia | 3.011 | 3.312 | Mineração e energia. |
| Minas Gerais | 2.910 | 3.201 | Mineração e indústria. |
| Amapá | 2.851 | 3.136 | Recursos naturais. |
| Roraima | 2.823 | 3.105 | Energia e meio ambiente. |
| Tocantins | 2.786 | 3.065 | Agronegócio. |
| Rio Grande do Norte | 2.668 | 2.935 | Turismo e energia. |
| Acre | 2.563 | 2.819 | Recursos naturais. |
| Pernambuco | 2.422 | 2.664 | Indústria e serviços. |
| Alagoas | 2.406 | 2.647 | Agro e turismo. |
| Sergipe | 2.401 | 2.641 | Petroquímico. |
| Amazonas | 2.293 | 2.522 | Zona franca e manufatura. |
| Paraíba | 2.287 | 2.516 | Têxtil e serviços. |
| Pará | 2.268 | 2.495 | Mineração. |
| Piauí | 2.203 | 2.423 | Energia renovável. |
| Bahia | 2.165 | 2.382 | Petroquímico e agro. |
| Ceará | 2.071 | 2.278 | Indústria e turismo. |
| Maranhão | 2.049 | 2.254 | Menor do país, foco em agro e logística. |
| Brasil (média nacional) | 3.225 | 3.548 | Crescimento real de ~3,7% em 2024; projeção considera tendências. |