Economia
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Persio Arida diz que não é contra teto de gastos

Posicionamento em palestra foi interpretado como contrário à emenda aprovada por Temer; economista reitera importância de conter endividamento do governo

Persio Arida: "O teto de gasto deve ser mantido porque, infelizmente, ainda estamos longe de estabilizar a dívida como proporção do PIB" (Nelson Ching/Bloomberg/Bloomberg)

Persio Arida: "O teto de gasto deve ser mantido porque, infelizmente, ainda estamos longe de estabilizar a dívida como proporção do PIB" (Nelson Ching/Bloomberg/Bloomberg)

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Da Redação

6 de julho de 2018, 19h54

São Paulo - Uma declaração dada pelo coordenador do programa econômico do pré-candidato à Presidência da República Geraldo Alckmin (PSDB), Persio Arida, gerou polêmica nessa semana. Em palestra proferida na segunda-feira, o posicionamento do economista sobre a emenda Constitucional que limita o avanço dos gastos públicos foi interpretado como contrário à emenda. A EXAME, Persio reiterou a importância da medida: "O teto de gasto deve ser mantido porque, infelizmente, ainda estamos longe de estabilizar a dívida como proporção do PIB", disse. O economista lembra ainda que a despesa primária do Governo Central subiu de 14,7% do PIB em 1997 para 20% em 2016. "Sem a Emenda Constitucional 95 teria sido maior ainda em 2017", diz.

No evento em que palestrou, Persio chegou a apostar que o teto continuaria sendo necessário por dois ou três anos, prazo em que o país atingiria, numa previsão otimista, o equilíbrio fiscal. Nesse contexto, ele disse que engessar os gastos do governo por 20 anos não faz sentido, já que a economia é dinâmica. "Dois ou três anos foi uma expressão infeliz da minha parte durante a palestra porque tinha em mente o tempo necessário para voltar a gerar algum superávit fiscal", explica o economista, que foi presidente do Banco Central (BC) no governo de Fernando Henrique Cardoso e fez parte da equipe que elaborou o Plano Real. "Nossa meta, já anunciada, é zerar o déficit em até dois anos e terminar o quarto ano gerando um superávit entre 2 e 2,5% do PIB", acrescentou fazendo alusão ao plano econômico atrelado à pré-candidatura de Alckmin.

O chamado teto dos gastos é uma emenda à Constituição aprovada em 2016, no início do governo Michel Temer, para limitar o avanço das despesas públicas à inflação do ano anterior, por um prazo de 10 anos, prorrogáveis por mais 10. A bancada do PSDB votou integralmente a favor da medida.