Economia

Payroll: EUA perdem 92 mil vagas de trabalho em fevereiro

Relatório de empregos dos EUA mostra queda inesperada nas vagas em fevereiro e taxa de desemprego de 4,4%, acima das estimativas do mercado

Publicado em 6 de março de 2026 às 10h50.

Última atualização em 6 de março de 2026 às 11h23.

O mercado de trabalho dos Estados Unidos perdeu força em fevereiro. O número de vagas fora do setor agrícola caiu 92 mil, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), o departamento de estatísticas do trabalho do governo americano.

O resultado veio bem abaixo das expectativas de economistas consultados pela Bloomberg, que projetavam alta de 55 mil vagas no mês. Em janeiro, haviam sido criados 126 mil empregos.

A taxa de desemprego ficou em 4,4%, ligeiramente acima da estimativa de 4,3%. O número total de desempregados permaneceu praticamente estável em 7,6 milhões de pessoas.

A queda do payroll foi a maior desde outubro, segundo a Bloomberg, quando o indicador foi impactado por cortes no setor público ligados a um programa de desligamento de funcionários públicos federais lançado pelo governo de Donald Trump.

Setores que mais desaceleraram

Entre os setores, a saúde perdeu 28 mil vagas em fevereiro. Segundo o relatório, o movimento reflete atividades de greve, com 37 mil demissões em consultórios médicos, parcialmente compensadas pela criação de 12 mil empregos em hospitais.

O setor de informação eliminou 11 mil postos, enquanto o governo federal cortou 10 mil vagas no mês. Desde o pico registrado em outubro de 2024, o emprego federal caiu 330 mil trabalhadores, uma redução de 11%.

Os salários, por outro lado, vieram acima do esperado. O ganho médio por hora subiu 0,4% no mês, para US$ 37,32, acima da previsão de 0,3%. Em 12 meses, o avanço foi de 3,8%.

A taxa de participação na força de trabalho recuou de 62,5% para 62%. Além disso, revisões nos dados de dezembro e janeiro retiraram 69 mil empregos das estimativas anteriores.

Mercado debate próximos passos do Fed

A surpresa negativa no payroll reacendeu o debate no mercado sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos. Para Lindsay Rosner, economista do banco Goldman Sachs, o dado sinaliza fragilidade no mercado de trabalho e aumenta a pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

“Indícios de fragilidade no mercado de trabalho servem de alerta para o Fed de que pode ter um preço a pagar pelo adiamento dos cortes, embora a política monetária de curto prazo continue ditada pelo conflito em curso no Oriente Médio”, afirmou.

Segundo ela, a expectativa é que o banco central ainda conclua dois cortes restantes para normalizar as taxas de juros, embora o momento exato permaneça incerto.

Para Ellen Zentner, economista do banco Morgan Stanley, o quadro coloca o Fed em uma posição delicada, dado o risco de que os preços do petróleo elevados por um período prolongado possam desencadear outra onda inflacionária. "O Fed pode se sentir compelido a permanecer em compasso de espera", disse Zentner à Bloomberg.

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