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O seu celular sabe se você está desempregado

Estudo mostra que os padrões de ligações telefônicas dizem muito sobre as condições econômicas e podem ajudar a melhorar as estatísticas oficiais

 (Thinkstock)

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João Pedro Caleiro

6 de junho de 2015, 08h22

São Paulo - Um dos pontos mais polêmicos da espionagem americana revelada por Edward Snowden é a coleta de "metadados" telefônicos - quem ligou para quem, de onde, em que horário e qual foi a duração da conversa.

Recentemente, um time de economistas de universidades como Harvard e MIT investigou se este tipo de informação poderia servir para outro objetivo: monitorar condições econômicas.

O estudo pegou os padrões telefônicos de uma pequena cidade onde uma fábrica de autopeças havia fechado e demitido mais de mil pessoas. Nada do conteúdo de conversas; apenas metadados.

Eles inferiram que naturalmente, os demitidos paravam de fazer ligações de perto da fábrica e mudavam seu padrão geográfico diário. Partindo daí, notaram que o número de chamadas por demitidos caía 51% em relação aos não-demitidos.

"A relação entre eventos de demissão em massa e estes registros de ligação sugerem um potencial para prever tendências importantes e de larga escala no desemprego com base na informação telefônica da população", diz o estudo.

Em outro experimento, eles utilizaram dados de 10 milhões de usuários de telefone celular em um país europeu não-identificado que estava sofrendo com alta do desemprego.

As informações telefônicas foram então colocadas para interagir em um modelo matemático que levava em consideração fatores como rede de contatos e ligações feitas e recebidas. 

Resultado: os metadados se mostraram tão precisos e eficientes para monitorar o desemprego quanto pesquisas mais tradicionais por amostragem.

"Estes resultados demonstram a promessa de usar novas fontes de dados para fazer a ponte entre comportamentos macro e microeconômicos e monitorar indicadores econômicos importantes", diz o estudo.

Já faz um tempo que os especialistas vêm pensando (e testando) formas de usar o big data criado pela inteligência coletiva das comunicações humanas para monitorar a economia.

Dois exemplos recentes: um trabalho que encontrou relação entre conteúdo de tuítes e desemprego e outros que mostram como o padrão de buscas no Google pode antecipar e refletir condições econômicas, algo feito regularmente pela firma americana Convergex.