IPCA deve subir no 4º tri, mas encerrar 2017 na meta, diz Ipea

O IPCA fechou fevereiro com alta de 0,33%, o menor resultado para o mês desde o ano 2000, informou o IBGE

Rio - O arrefecimento da inflação oficial no País deve continuar pelo menos até o fim do terceiro trimestre, segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

No último trimestre, a taxa acumulada em 12 meses pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltará a subir, mas encerrará 2017 dentro do centro da meta estipulada pelo governo, de 4,5%, prevê a pesquisadora Maria Andréia Lameiras.

"A partir de setembro é quando começam as variações menores no IPCA (de 2016), então é possível que, por efeito estatístico, a taxa em 12 meses volte a subir no fim do ano. Mas o 4,5% está virando teto. Não só porque os resultados dos últimos dois meses foram muito bons, mas porque o ambiente inflacionário está ajudando", explicou Maria Andréia.

O IPCA fechou fevereiro com alta de 0,33%, o menor resultado para o mês desde o ano 2000, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o Ipea, o movimento reforça ainda mais a trajetória de desaceleração da inflação, iniciada no último trimestre de 2016.

A melhora é puxada pelo forte recuo nos preços dos alimentos, mas também pelos efeitos da valorização do real frente ao dólar e da demanda interna mais fraca, avaliou nesta quinta-feira, 10, o Ipea, em nota do grupo de Conjuntura.

Segundo Maria Andréia, é possível ver os reflexos da retração na demanda na desaceleração dos preços dos serviços pessoais e dos bens industriais.

"A gente ainda vai ter o mercado de trabalho com dificuldades ao longo deste ano, contribuindo para o ambiente de desaceleração da inflação. As pessoas estão adiando as decisões de compra", disse a pesquisadora do Ipea.

A economista lembra ainda que o empenho do governo em aprovar reformas e da autoridade monetária em trazer o IPCA de volta ao centro da meta ajudam a controlar as expectativas para a inflação.

"A aprovação do teto das despesas do governo e as propostas de reformas importantes enviadas ao Congresso vêm desencadeando um aumento da confiança dos agentes econômicos, que, juntamente com a maior credibilidade do Banco Central, está ancorando as expectativas futuras de inflação, mesmo em um ambiente de redução de taxas de juros", aponta o texto do Ipea.

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