Economia

Argentina tem nota de crédito elevada pela Moody's após avanços econômicos

Agência internacional de classificação de risco vê redução no risco de calote da dívida e melhora perspectiva para o país

Argentina: as três principais agências internacionais de risco — Moody's, S&P e Fitch — passam a atribuir avaliações equivalentes ao país ( Benjamin R. /Unsplash)

Argentina: as três principais agências internacionais de risco — Moody's, S&P e Fitch — passam a atribuir avaliações equivalentes ao país ( Benjamin R. /Unsplash)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 21 de julho de 2026 às 18h44.

A Argentina recebeu uma avaliação mais favorável sobre sua capacidade de pagar a dívida pública pela Moody's, uma das principais agências internacionais de classificação de risco. A revisão foi divulgada nesta terça-feira, 21, e elevou a nota do país de CAA1 para B3, além de alterar sua perspectiva de estável para positiva.

Na prática, a decisão indica que a agência considera que o risco de um calote da dívida argentina diminuiu. Embora o país ainda permaneça na categoria de investimentos considerados especulativos, a nova classificação sinaliza maior confiança na trajetória da economia.

Segundo a agência, a melhora reflete a avaliação de que o risco de inadimplência da Argentina diminuiu significativamente à medida que o processo de estabilização macroeconômica avançou além da fase inicial de ajustes e passou a indicar fundamentos de crédito mais sólidos e uma melhora na governança.

A classificação anterior havia sido revisada em fevereiro de 2025, quando a Moody's elevou a nota do país de CAA3 para CAA1. Em maio daquele ano, a agência optou por manter a avaliação enquanto acompanhava a evolução do programa econômico implementado pelo presidente Javier Milei.

Perspectiva positiva

Além da elevação da nota, a Moody's alterou a perspectiva da dívida argentina de estável para positiva. A agência afirmou que a mudança reflete a expectativa de que o perfil de crédito do país possa continuar se fortalecendo à medida que melhorias estruturais nas contas externas avancem em conjunto com a estabilização macroeconômica.

O governo argentino comemorou a decisão, de acordo com o Clarín. O vice-ministro da Economia, José Luis Daza, afirmou que, com a nova classificação, as três principais agências internacionais de risco — Moody's, S&P e Fitch — passam a atribuir avaliações equivalentes ao país pela primeira vez em mais de dez anos.

Já o presidente Javier Milei celebrou a revisão em uma publicação nas redes sociais utilizando a sigla "TMAP", referência ao lema de seu governo: "Todo marcha acorde al plan" ("Tudo marcha de acordo com o plano").

Riscos permanecem

Apesar da melhora, a Moody's destacou que ainda existem riscos políticos relacionados às eleições gerais previstas para 2027. Ao mesmo tempo, a agência afirmou que aumentou a probabilidade de continuidade das políticas econômicas atuais e de ganhos sustentáveis em liquidez externa e na capacidade de pagamento da dívida.

A classificadora também alertou que será necessário manter o ajuste macroeconômico até que uma parcela maior dos projetos voltados ao setor externo se concretize, o que é esperado para 2027. Segundo a agência, embora as reservas internacionais tenham apresentado melhora recente, elas ainda não são consideradas suficientemente robustas para suportar uma eventual crise política ou um desequilíbrio no balanço de pagamentos.

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