Economia

IPCA tem deflação de 0,32% em agosto; veja o que ficou mais barato

Índice acumula alta de 3,11% no ano e de 4,22% em 12 meses, enquanto mercado projetava deflação de 0,29% em agosto

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 09h09.

Última atualização em 11 de setembro de 2026 às 09h31.

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, ficou em -0,32% em agosto, uma queda de 0,39 ponto percentual em relação aos 0,07% registrados em julho. Foi a primeira deflação do índice desde junho de 2025.

No ano, o IPCA acumula alta de 3,11%. Em 12 meses, a inflação ficou em 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em agosto de 2025, o índice havia recuado 0,11%.

O mercado projetava uma deflação de 0,29% no mês. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O que é deflação?

A deflação ocorre quando há uma queda generalizada dos preços de bens e serviços em determinado período. No caso do IPCA, significa que, em média, os preços pesquisados pelo IBGE recuaram em relação ao mês anterior.

Isso não significa que todos os produtos ficaram mais baratos. O índice pode registrar deflação mesmo com parte dos preços em alta, desde que as quedas tenham peso maior no resultado geral.

Em agosto, por exemplo, a redução da energia elétrica, das passagens aéreas e de alguns alimentos mais do que compensou as altas de itens como cigarro e despesas pessoais.

A deflação também não significa que a inflação acumulada desapareceu. Em agosto, mesmo com a queda de 0,32% no mês, o IPCA acumulava alta de 3,11% no ano e de 4,22% em 12 meses.

O que fez o IPCA cair em agosto?

A deflação foi puxada principalmente pelas quedas nos preços de habitação, transportes e alimentação e bebidas. Entre os principais fatores estão a redução da conta de luz, das passagens aéreas, dos combustíveis e de diversos alimentos.

O grupo Habitação teve a maior queda, de 1,87%, e contribuiu com -0,29 ponto percentual para o resultado do IPCA. A principal influência veio da energia elétrica residencial, que recuou 7,63% e teve impacto de -0,33 ponto percentual no índice.

A queda da energia ocorreu principalmente pela incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas em agosto. Também foram incorporados ao cálculo reajustes e reduções nas tarifas de diferentes cidades.

Em agosto, permanecia em vigor a bandeira tarifária amarela, que adicionava R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Mesmo com a contribuição negativa da energia, outros itens de Habitação tiveram alta. O gás encanado subiu 1,74%, enquanto a taxa de água e esgoto avançou 0,11%.

Passagens aéreas e combustíveis também caíram

O grupo Transportes registrou queda de 0,86% em agosto. O principal destaque foram as passagens aéreas, que ficaram 13,17% mais baratas.

Os combustíveis também contribuíram para a deflação, com queda de 0,91%. O etanol recuou 3,95%, o óleo diesel caiu 0,80% e a gasolina teve redução de 0,59%. Na direção contrária, o gás veicular subiu 2,62%.

O grupo Transportes teve impacto negativo de 0,17 ponto percentual sobre o IPCA de agosto.

Alimentos ficam mais baratos

O grupo Alimentação e bebidas registrou queda de 0,34% em agosto, após recuo de 0,67% em julho. O resultado foi influenciado principalmente pela alimentação no domicílio, que caiu 0,61%.

Entre os produtos que tiveram as maiores quedas estão a batata-inglesa (-19,89%), a cenoura (-11,22%), a cebola (-11,07%), o tomate (-10,94%), o ovo de galinha (-4,15%) e o café moído (-1,86%).

Na outra ponta, o leite longa vida subiu 1,78%, as frutas avançaram 0,84% e as carnes ficaram 0,61% mais caras.

A alimentação fora do domicílio também desacelerou. A alta passou de 0,55% em julho para 0,36% em agosto. O lanche saiu de uma alta de 0,76% para 0,62%, enquanto a refeição passou de 0,42% para 0,18%.

Cigarro foi principal pressão de alta

Entre os grupos que tiveram alta em agosto, Despesas pessoais registrou a maior variação, de 1,30%, e teve impacto positivo de 0,13 ponto percentual sobre o IPCA.

O principal responsável foi o cigarro, que ficou 19,59% mais caro. O item sozinho teve impacto de 0,11 ponto percentual no resultado do mês.

Também registraram alta os grupos Educação, com 0,47%, Artigos de residência, com 0,64%, Saúde e cuidados pessoais, com 0,23%, e Vestuário, com 0,12%.

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