Economia

IPCA-15: prévia da inflação acelera e fecha abril em 0,89%

Apesar da alta, resultado ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro

 (Leandro Fonseca /Exame)

(Leandro Fonseca /Exame)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 28 de abril de 2026 às 09h02.

Última atualização em 28 de abril de 2026 às 09h12.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador que é a prévia da inflação oficial do Brasil, fechou o mês de abril em 0,89%, aceleração de 0,45 ponto percentual em relação à prévia de março, quando o índice registrou alta de 0,44%.

O resultado foi divulgado nesta terça-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e ficou abaixo da expectativa do mercado, que esperava alta de 1%.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,39% e, nos últimos 12 meses, de 4,37%, acima dos 3,90% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em abril de 2025, a taxa foi de 0,43%.

Por que a inflação de abril acelerou?

A inflação de abril ganhou tração com a aceleração dos preços de Alimentação e Bebidas, que avançaram 1,46%, puxados principalmente pelo aumento da alimentação no domicílio.

O subgrupo saiu de 1,10% em março para 1,77% no mês seguinte, refletindo a pressão de itens básicos na mesa do consumidor.

Entre os principais vilões, destacam-se as altas expressivas de alimentos in natura e processados. Os maiores impactos vieram de produtos como cenoura (25,43%), cebola (16,54%), leite longa vida (16,33%) e tomate (13,76%), além das carnes (1,14%).

A alimentação fora do domicílio também apresentou aceleração. O índice passou de 0,35% em março para 0,70% em abril, pressionado pelo aumento tanto do lanche quanto das refeições. Os preços de lanche subiram 0,87%, enquanto refeições avançaram 0,65%, após altas mais moderadas no mês anterior.

O grupo Transportes registrou a segunda maior pressão sobre o índice geral, com alta de 1,34% e impacto de 0,27 ponto percentual. O resultado foi diretamente influenciado pelo avanço dos combustíveis, que reverteram queda de março e dispararam 6,06% em abril.

A gasolina teve papel central nesse movimento. O combustível subiu 6,23% no mês, tornando-se o principal impacto individual do índice, com contribuição de 0,32 ponto percentual, após leve recuo no período anterior.

Saúde também pressiona com reajuste de medicamentos

O grupo Saúde e cuidados pessoais exerceu a terceira maior influência no resultado geral, com alta de 0,93% e impacto de 0,13 ponto percentual. O avanço foi disseminado entre diferentes componentes do grupo.

Os itens de higiene pessoal subiram 1,32%, enquanto produtos farmacêuticos avançaram 1,16%, impulsionados pelo reajuste autorizado nos medicamentos. A partir de 1º de abril, os preços puderam subir até 3,81%, refletindo decisão regulatória.

Além disso, os planos de saúde registraram alta de 0,49%, contribuindo para consolidar a pressão do grupo no índice geral.

O grupo Habitação acelerou de 0,24% em março para 0,42% em abril. A energia elétrica residencial foi de 0,68% (0,29% de março), contemplando os reajustes de 6,92% e 14,66% nas tarifas das concessionárias, no Rio de Janeiro (6,50%), a partir de 15 de março.

Qual foi o resultado do IPCA-15 de abril de 2025?

  • IPCA-15 de abril : 0,89%
  • IPCA-15 no ano: 2,39% 
  • IPCA-15 de abril de 2025: 0,43% 
  • IPCA-15 nos últimos 12 meses: 4,37% 
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