A expectativa do JBJ Ranch com o leilão de cavalos de raça é faturar mais de R$ 150 milhões de em apenas três dias de evento (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)
Repórter
Publicado em 16 de maio de 2026 às 15h15.
Última atualização em 16 de maio de 2026 às 15h47.
Goiânia (GO) - Quanto será que vale um cavalo de raça? Em Nazário, interior de Goiás, a família do empresário José Batista Júnior (conhecido como Júnior Friboi e um dos filhos do fundador da JBS), decidiu apostar em um negócio que no Brasil podemos dizer que é algo novo: o leilão de cavalo de raça.
O idealizador do leilão foi o filho Fabrício Batista, que hoje é o atual CEO da gigante JBJ Agropecuária, empresa do agronegócio que foi criado por Batista Júnior em 2012, logo após sair da presidência e do grupo da JBS. Hoje, sua companhia se tornou uma gigante na região Centro-Oeste. Com 14 fazendas, a JBJ Agropecuária faturou no último ano R$ 6 bilhões com diferentes frentes de negócio, como pecuária de corte, melhoramento genético, exportação, e o mais recente leilão de cavalos – mas não é qualquer cavalo.
No centro da foto, Fabrício Batista e o pai José Batista Júnior, CEO e presidente da JBJ Agropecuária (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)
Em 2020 Fabrício, apaixonado por cavalos, quis fazer dessa paixão pelo animal um negócio.
‘Ele veio com essa ideia de fazer algo com cavalo. Falei: depende, se for só por amor, basta um, agora se quiser fazer disso um negócio, podemos pensar nesse investimento”, diz Júnior Batista, fundador da JBJ Agropecuária.
Foi assim que surgiu em plena a pandemia a JBJ Runch, que com um investimento de R$ 30 milhões realizou o primeiro leilão de cavalos ‘Quarto de Milha’.
Trata-se de um cavalo de raça importado dos Estados Unidos e que é conhecido por sua força e agilidade. ‘Ninguém segura esse cavalo em um quarto de milha, por isso o nome dele’, diz Fabrício.
A primeira edição foi sucesso e desde então essa frente de negócio da JBJ, mesmo representando pouco mais de 10%, já está trazendo lucro, patrocínios e um networking milionário em Goiás, estado que os empresários costumam chamar do “coração do agronegócio brasileiro”.
“Em 2025, em apenas três dias, o leilão faturou R$ 128 milhões, com cavalos variam de preço entre R$ 5 mil a R$ 12 milhões. A expectativa para esse ano é passar dos R$ 150 milhões em três dias de evento”, diz Fabrício que começou o evento nesta sexta-feira, 16, e vai terminar neste domingo, 18.
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A JBJ Ranch realiza neste ano a quinta edição do leilão de cavalos "Quarto de Milha" com decoração western na fazenda modelo da família Batista (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)
A JBJ Runch chega em 2026 com a quinta edição do leilão de cavalos ‘Quarto de Milha”. Com decoração western, que lembra o ambiente texano, não faltou da fazenda da JBJ churrasco, desfile dos cavalos e éguas e a moda country marcada pelas botas, chapéu e roupas de couro.
Em falando em moda, neste ano teve um espaço especial chamando “Boulevard”, criado pela Georgia Adriano, empresária e idealizadora do evento, junto com o marido Fabrício.
“Criei esse espaço para as mulheres conhecerem roupas e marcas diferentes. Estou vendo um movimento do estilo western ganhando espaço no mercado e dando voz e estilo para mulheres dentro e fora do agro, diz Adriano.
Entre as marcas presentes está a Patrícia Viera, empresária carioca muito conhecida do ramo da moda por suas roupas de couro, inclusive no São Paulo e Rio Fashion Week.
Marcas também marcaram o evento com patrocínio. Segundo Fabrício, cerca de 40 marcas patrocinaram o evento, entre elas BYD, Seara e alguns bancos como Santander e Bradesco.
Georgia Adriano, empresária e idealizadora do evento JBJ Ranch: "Estou vendo um movimento do estilo western ganhando espaço no mercado e dando voz e estilo para mulheres dentro e fora do agro" (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)
O leilão de cavalos da JBJ Ranch deste ano começou com o cantor Gusttavo Lima vendendo uma égua por R$ 1,1 milhão. O valor ele doou para o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora).
“Toda a renda desse animal será revertida ao Cora, que a gente participou desde a fundação até a entrega”, disse o cantor. O valor da potra de 1 anos e 8 meses será pago em parcelas de R$ 20 mil.
Uma curiosidade do leilão do cavalo é que nem sempre ele é vendido por inteiro. Na noite desta sexta-feira, por exemplo, um cavalo teve 50% da propriedade vendida por mais de R$ 12 milhões. “É como se fossem ações, é possível comprar uma parte do cavalo e depois dividir os lucros”.
Além de Gusttavo Lima, apareceram no primeiro dia de leilão o empresário Roberto Justos, o cantor Amado Batista, a cantora Naiara Azevedo e o piloto Alexandre Funari Negrão. O evento também contará com shows de cantores sertanejos, como Hugo & Guilherme, Paula Fernandes e Maiara & Maraisa.
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Cantor Gusttavo Lima leiloando uma égua de raça durante o JBJ Ranch. Além de artista, evento contou com cerca de 40 patrocinadores (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)
O negócio que está atraindo patrocinadores e artistas, está movimentando o mercado de cavalos do Brasil. Hoje, a JBJ Ranch realizada o segundo maior leilão de cavalos “Quarto de Milha” do mundo. O primeiro lugar ainda está com o Estados Unidos, mas segundo Fabrício, é por uma questão de tempo.
O empresário investiu no ano passado em um rancho no Pilot Point, no Texas (EUA), considerado o principal polo global da raça Quarto de Milha. A ideia é fazer do Brasil um dos maiores mercados de cavalo de raça para o mundo, junto com os Estados Unidos. E para isso, estão investindo em genética animal.
Desde 2021, entre um dos seus negócios, a JBJ investe em um laboratório que desenvolve cavalos com a mesma genética dos garanhões que se destacaram em corridas. A ideia é aproximar a operação das principais centrais genéticas do mundo e fortalecer a presença da marca no mercado americano.
“Você está no berço do quarto de milha. Ali estão os melhores animais e as melhores genéticas”, afirma Fabrício.
A infraestrutura de laboratório genético e reprodução avançada para trabalhar com embriões e sêmen de grandes campeões mundiais está instalada em Goiás, na fazenda onde é realizada o leilão da JBJ Ranch, segundo Rodrigo Terra, diretor financeiro da JBJ Agropecuária.
“O grupo JBJ possui dois núcleos de genética no local: um voltado ao cavalo quarto de milha e outro ao Nelore P.O. (Puro de Origem), focado em melhoramento genético bovino”, afirma.
Hoje, a divisão de cavalos e genética representa um pouco mais de 10% do faturamento do grupo, o equivalente a cerca de R$ 600 milhões. O grande negócio da JBJ é a pecuária.
Há também uma diferença na profissionalização da gestão entre gado e o cavalo. O diretor financeiro explica que enquanto o gado comercial opera em escala, os cavalos recebem acompanhamento individualizado.
“No cavalo, nós temos até um centro de custo para cada animal. Desde a hora que ele nasce, você acompanha todos os custos até o leilão”, diz Terra.
O grupo brasileiro também já promove eventos nos Estados Unidos com criadores internacionais de cavalos. Em um deles, realizado no ano passado, a JBJ levou até show sertanejo para apresentar “o jeito brasileiro” aos americanos.
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A JBJ atua em todas as etapas da cadeia pecuária: cria, recria e engorda. O grupo também mantém confinamentos e compra animais de terceiros para complementar a operação.
A expectativa para 2026 é terminar quase 500 mil cabeças de gado nos confinamentos.
Além da pecuária, o grupo possui a Prima Foods, braço industrial da companhia. Hoje, três frigoríficos operam entre 2 mil e 2,5 mil abates por dia. Em 2025, a empresa abateu 510 mil cabeças e projeta chegar a 620 mil em 2026.
A exportação é um dos pilares do negócio. Cerca de 70% da produção da Prima Foods é destinada ao mercado externo e aproximadamente metade desse volume segue para a China.
“Apesar de todas as dificuldades, o Brasil consegue produzir e se manter bem no cenário mundial na produção de commodities”, diz Terra.
Mesmo após a rápida expansão, a companhia afirma que ainda há espaço para crescer organicamente, especialmente na indústria frigorífica e nas operações de genética.
Ao mesmo tempo, a JBJ segue avaliando aquisições. O grupo chegou a fazer uma oferta pela Fazenda Conforto e aguarda análise do Cade sobre a operação.
Com cerca de 4.500 funcionários somando todas as operações, incluindo agropecuária, frigorífico, varejo e empreendimentos imobiliários, a companhia aposta em gestão e controle para continuar crescendo e sair dos R$ 6 bilhões para R$ 10 bilhões em 2027.