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Brasil tem deflação de 0,29% em setembro no IPCA e acumulado cai para 7,17%

Com deflação pelo terceiro mês seguido, IPCA acumulado chegou a 7,17%

Inflação: acumulado foi a 7,17% (Leandro Fonseca/Exame)

Inflação: acumulado foi a 7,17% (Leandro Fonseca/Exame)

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Carolina Riveira

11 de outubro de 2022, 11h03

A inflação no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal índice inflacionário brasileiro, fechou o mês de setembro com queda de 0,29%. O resultado foi divulgado nesta terça-feira, 11, pelo IBGE.

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  • No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 7,17%, frente a 8,73% no acumulado até agosto.
  • Nos nove meses deste ano ano até setembro, a alta acumulada é de 4,09%.

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O resultado de setembro representa pelo terceiro mês seguido uma deflação, quando há variação negativa no índice. Em agosto, a inflação já havia variado negativamente em 0,36% (veja no gráfico abaixo).

O resultado do IPCA veio levemente abaixo do consenso do mercado, que esperava deflação mensal de 0,33% e acumulado caindo para 7,12%, segundo consenso da Bloomberg.

Usualmente, uma deflação acontece quando a economia está desacelerada. Mas, no caso do Brasil, as quedas têm sido puxadas sobretudo pelas desonerações de insumos como combustíveis e energia elétrica, aprovadas no Congresso, além de preços menores do petróleo no mercado internacional. No caso dos alimentos, o fim da entressafra também beneficia algumas culturas, como o leite, ajudando a reduzir a pressão sobre os preços. 

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Em setembro, o maior impacto negativo sobre o IPCA veio novamente dos combustíveis, que tiveram queda de 8,50% no mês.

“Os combustíveis e, principalmente, a gasolina têm um peso muito grande dentro do IPCA”, disse em nota o gerente da pesquisa no IBGE, Pedro Kislanov. "Em julho, o efeito foi maior por conta da fixação da alíquota máxima de ICMS, mas, além disso, temos observado reduções no preço médio do combustível vendido para as distribuidoras, o que tem contribuído para a continuidade da queda dos preços." Com a queda no preço internacional, a Petrobras reduziu o preço da gasolina quatro vezes desde julho.

Os alimentos também caíram no mês (-0,51%) pela primeira vez desde novembro de 2021. 

O Brasil convivia com inflação de dois dígitos desde setembro do ano passado, com a inflação em um dos piores patamares desde o início do Plano Real. Com as quedas recentes, o país voltou a ter inflação em um dígito (veja no gráfico).

No boletim Focus desta semana, que reúne projeções dos principais bancos e casas de análise compilados pelo Banco Central, a estimativa é que o IPCA feche 2022 em 5,71%. Para 2023, a mediana das projeções no Focus ficou em 5,0%.

Gasolina segue caindo, leite dá trégua

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, quatro tiveram queda no mês de setembro e os demais subiram. As principais altas vieram de "Habitação" (0,60%), "Vestuário" (1,77%) e "Despesas Pessoais" (0,95%).

Em Habitação, um dos destaques foi a alta na energia elétrica residencial, que subiu 0,78% no mês, após já ter subido 1,27% em agosto, em meio a reajustes na tarifa em algumas capitais.

Enquanto isso, a maior queda foi novamente no grupo "Transportes" (-1,98% em setembro, após outra queda de -3,37% em agosto), que inclui os combustíveis.

  • A gasolina caiu 8,33% no mês;
  • O etanol caiu 12,43%;
  • O óleo diesel caiu 4,57%;
  • O gás veicular caiu 0,23%.

A queda da gasolina, individualmente, exerceu o impacto negativo mais intenso (-0,42 p.p.) entre os subitens do IPCA, segundo o IBGE. 

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Apesar do impacto maior no índice vir dos transportes, a maior queda absoluta no mês foi do grupo "Comunicação" (-2,08%), puxado por acesso à internet (-10,55%) e por telefonia, internet e tv por assinatura (-2,70%).

Enquanto isso, o principal destaque foi o grupo "Alimentação e bebidas", que passou de uma alta de 0,24% em agosto para queda de 0,51% em setembro, a primeira queda desde novembro de 2021.

  • A alimentação no domicílio caiu 0,86%, com destaque para queda no preço do leite longa vida, que caiu 13,71%.

Apesar da redução, o leite segue com alta acumulada de 39,6% em 12 meses. “O leite vinha subindo muito nos últimos 12 meses, especialmente em 2022, por conta do período de entressafra, a partir de março e abril, mas também por causa da guerra da Ucrânia, que aumentou muito o preço dos insumos agrícolas. Agora, com o final do período de entressafra e a volta das chuvas, aumentou a oferta do produto no mercado, o que gerou uma queda nos preços", disse Kislanov, do IBGE.

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  • Dentre os destaques, o óleo de soja caiu 6,27%; 
  • E nas altas, a cebola subiu 11,22%. 

A baixa internacional no preço das commodities que barateou os combustíveis também se aplica à soja. “No caso do óleo de soja, a explicação vem da redução do preço da soja no mercado internacional, que está caindo desde o final de junho”, disse Kislanov.

  • Ainda dentro do grupo de alimentos, a alimentação fora do domicílio seguiu subindo, com alta de 0,47%, mas desacelerou frente a agosto (quando havia subido 0,89%).

(Com Guilherme Guilherme)


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