Economia
Acompanhe:

Projeção de alta do PIB de 2022 segue em 2,70%, aponta Focus

Já a estimativa para a expansão do PIB em 2023 cresceu de 0,53% para 0,54%, ante 0,50% um mês antes

Economia: Banco Central divulgou o Relatório de Mercado Focus na manhã desta segunda-feira, 10. (Getty/Getty Images)

Economia: Banco Central divulgou o Relatório de Mercado Focus na manhã desta segunda-feira, 10. (Getty/Getty Images)

E
Estadão Conteúdo

10 de outubro de 2022, 09h49

O Boletim Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 10, mostrou uma interrupção no processo de melhora das estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 após 14 semanas de evolução positiva. A projeção para a alta do PIB em 2022 continuou em 2,70%, contra 2,39% há um mês. Já a estimativa para a expansão do PIB em 2023 cresceu de 0,53% para 0,54%, ante 0,50% um mês antes.

Considerando apenas as 29 respostas nos últimos cinco dias úteis a estimativa para o PIB no fim de 2022 cedeu de 2,75% para 2 70%. No caso de 2023, houve 29 atualizações nos últimos cinco dias úteis, com variação da mediana de 0,70% para 0,53%.

Assine a EXAME e fique por dentro das principais notícias que afetam o seu bolso.

O Relatório Focus ainda mostrou manutenção na projeção para o crescimento do PIB em 2024, em 1,70%. Para 2025, a mediana foi mantida em 2,00%. Quatro semanas atrás, as taxas eram de 1,80% e 2,00%, respectivamente.

O Focus mostrou também nesta segunda-feira mudança marginal para o prognóstico da relação entre resultado primário e o PIB deste ano, com o superávit subindo de 0,90% para 0,91%. Há um mês, o porcentual previsto era de 0,50% do PIB. Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2022 continuou em 6,40%, contra 6,75% de um mês atrás.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros.

O relatório ainda trouxe manutenção em 58,40% na projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2022. Era 59,00% um mês atrás.

Em relação a 2023, a estimativa para a dívida líquida em relação ao PIB continuou em 63,23%, de 63,05% há um mês. A mediana para o déficit primário também seguiu em 0,50% do PIB e, para o rombo nominal, permaneceu em 7,70% do PIB. Os porcentuais eram os mesmos há quatro semanas.

Balança comercial

Os economistas do mercado financeiro reduziram a estimativa de superávit da balança comercial em 2022 de US$ 61,50 bilhões para US$ 60,00 bilhões, ante US$ 66,92 bilhões de um mês atrás, segundo a pesquisa Focus. Para 2023, a projeção continuou em US$ 60,00 bilhões, mesmo valor esperado há quatro semanas.

No caso da projeção de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos em 2022, a mediana passou de US$ 31,00 bilhões para US$ 30,30 bilhões, contra US$ 25,00 bilhões de um mês atrás. Em 2023, a projeção para o rombo em transações correntes variou de US$ 31,45 bilhões para US$ 33,40 bilhões. Há um mês, a expectativa era deficitária em US$ 30,60 bilhões.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será suficiente para cobrir o rombo em transações correntes nesses anos. A mediana das previsões para o IDP em 2022 permaneceu em US$ 65,00 bilhões, ante US$ 60,00 bilhões de um mês atrás. Para 2023, continuou em US$ 65,00 bilhões, de US$ 66,00 bilhões há quatro semanas.

IPCA

O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 10, mostrou a 15ª redução da mediana para a alta do IPCA - índice de inflação oficial - deste ano, de 5,74% para 5,71%. A projeção para 2023 foi mantida em 5,00% pela segunda semana seguida, enquanto, para 2024, a estimativa cedeu de 3,50% para 3,47%. Há um mês, as medianas eram de 6,40%, 5,17% e 3,47%, nessa ordem.

Atualmente, o horizonte relevante da política monetária considera os anos de 2023 e, em menor grau, de 2024, mas, devido às incertezas sobre a política de desoneração tributária sobre os combustíveis, o Banco Central tem dado ênfase ao horizonte de 12 meses até o primeiro trimestre de 2024. Como o horizonte é móvel, cada vez mais, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC vai olhar para a inflação em 2024 para tomar suas decisões.

Neste momento, apesar da redução recente, as medianas na Focus para a inflação oficial continuam a apontar para três anos de descumprimento da meta, de 2021 a 2023. Para 2024, a projeção do mercado está acima do alvo central de 3,00%, mas dentro do limite superior, que é de 4,50%. A meta para 2022 é de 3,50%, com tolerância superior de até 5,00%, enquanto, para 2023, a meta é de 3,25%, com banda até 4,75%.

Na Focus, a previsão para 2025 permaneceu em 3,00%, porcentual igual ao de 65 semanas atrás. A meta para o ano é de 3,00%, com intervalo de 1,5% a 4,5%.

Considerando somente as 49 estimativas atualizadas nos últimos 5 dias úteis, a mediana para 2022 passou de 5,65% para 5,63%. Para 2023, variou de 4,98% para 5,00%.

No Copom de setembro, o BC atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 5,8% em 2022, 4,6 % em 2023 e 2,8% para 2024. O colegiado manteve a Selic em 13,75% ao ano, decretando o fim de seu mais longo ciclo de alta de juros.

Dólar

O cenário da moeda norte-americana em 2022 e 2023 completou a 11ª semana seguida sem alterações no Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central (BC). A estimativa para o câmbio este ano continuou em R$ 5,20 nesta segunda-feira, 10, mesmo valor de um mês antes. Para 2023, também permaneceu em R$ 5,20, repetindo a estimativa de quatro semanas atrás. A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não mais no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020. Com isso, o BC espera trazer maior precisão para as projeções cambiais do mercado financeiro.

Selic

O mercado financeiro continuou a projetar, no Boletim Focus, que a taxa Selic deve terminar este ano em 13,75% e 2023 em 11,25%, em linha com as sinalizações dadas pelo Banco Central (BC). Há um mês, os porcentuais previstos eram de 13,75% e 11,25%, respectivamente.

No Comitê de Política Monetária (Copom) de setembro, o BC manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, decretando o fim do mais longo ciclo de alta de juros da história do comitê. A autoridade monetária indicou a manutenção da Selic nesse patamar por "período suficientemente prolongado" para alcançar a convergência da inflação para a meta, mas alertou que, caso a desinflação não ocorra como o esperado, pode voltar a subir os juros.

Depois, os membros do Copom sinalizaram que o BC está confortável com o cenário que a Focus exibia para a Selic. "Usando a curva do Focus com corte em junho, mostramos que a gente atinge nossos objetivos", disse o presidente do BC, Roberto Campos Neto, na coletiva do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), em referência à convergência para a meta em 2024.

Campos Neto evitou, porém, dizer quão "suficientemente prolongada" deve ser a manutenção da Selic em níveis elevados para se que chegue às metas de inflação. "Deixamos claro que existem riscos para as projeções, que estamos vigilantes e que podemos inclusive voltar a subir os juros", destacou.

Atualmente, o foco de atuação da política monetária para colocar a inflação na meta considera os anos de 2023 e, em menor grau, de 2024. Mas com os ruídos derivados das desonerações tributárias sobre os combustíveis e a incerteza sobre a duração da medida, o BC prefere dar ênfase na projeção de inflação para o ano encerrado no primeiro trimestre de 2024. Como o horizonte de atuação é móvel, cada vez mais, o BC vai focar no ano de 2024.

Considerando apenas as 38 respostas nos últimos cinco dias úteis a expectativa para o juro básico no fim deste ano também seguiu em 13,75%. Para o término de 2023, as 38 revisões feitas nos últimos cinco dias úteis não alteraram a mediana de 11,25%.

Conforme o Boletim Focus, a previsão para a Selic no fim de 2024 continuou em 8,00%, mesmo porcentual de um mês atrás. Já a mediana para o fim de 2025 permaneceu em 7,75%, de 7,50% quatro semanas antes.