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Gastos com ex-presidentes superam R$ 9,5 milhões em 2025

Gastos com ex-presidentes superam R$ 9,5 milhões em 2025

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 07h46.

Os gastos da União com benefícios vitalícios concedidos a ex-presidentes da República ultrapassaram R$ 9,53 milhões em 2025, mantendo patamar semelhante ao de anos anteriores, de acordo com dados do Portal de Dados Abertos da Casa Civil.

As despesas incluem custeio de passagens aéreas, hospedagem, combustível, além da manutenção de equipes de apoio e segurança.

O benefício é garantido a qualquer pessoa que tenha exercido a Presidência da República e assegura até quatro servidores para segurança e apoio pessoal, dois assessores, dois veículos oficiais e dois motoristas, independentemente da situação judicial do ex-mandatário.

Entre os ex-presidentes, Dilma Rousseff aparece como a que mais utilizou recursos públicos em 2025, com R$ 2,37 milhões. Presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos Brics, e residente na China, Dilma concentrou gastos com passagens internacionais e verbas indenizatórias relacionadas à atuação no exterior.

Além das despesas comuns aos demais ex-presidentes, os servidores vinculados a Dilma receberam auxílio-moradia, ajuda de custo e Indenização de Representação no Exterior (IREX), que somaram R$ 509.350 no ano.

Na sequência aparece Fernando Collor, com R$ 2,27 milhões em gastos. Preso desde abril do ano passado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Collor cumpre pena em regime domiciliar após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, por motivos de idade e saúde.

Mesmo nessa condição, Collor lidera as despesas com passagens, locomoção e diárias em hotéis, que alcançaram R$ 1,03 milhão, valor destinado aos servidores que integram sua estrutura de apoio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não recebe o benefício por estar no exercício do mandato após a reeleição em 2022. Em valores corrigidos pela inflação, os gastos totais com ex-presidentes somaram R$ 9,89 milhões em 2024, R$ 9,73 milhões em 2023, R$ 8,84 milhões em 2022 e R$ 7,08 milhões em 2021, primeiro ano com registro no portal.

Benefício de Bolsonaro é parcialmente suspenso

Antes da condenação por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro já havia registrado redução no uso do benefício durante o julgamento da ação penal no STF e após a decretação de prisão preventiva em outro processo.

Em 2024, o custo associado ao ex-presidente superou R$ 1,88 milhão (valores corrigidos). Em 2025, o montante caiu para R$ 1,19 milhão, dos quais R$ 243.284 foram destinados a passagens e locomoção. Somados, Bolsonaro e Collor representaram cerca de R$ 3,47 milhões em despesas no ano.

No início de dezembro, a 8ª Vara Federal de Belo Horizonte determinou a suspensão do benefício de Bolsonaro, em ação movida pelo vereador Pedro Rousseff (PT), sob o argumento de que o ex-presidente cumpria pena em regime fechado. Decisão semelhante havia sido tomada contra Lula em 2018, posteriormente revertida.

O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) derrubou parcialmente a liminar cerca de 20 dias depois. A corte manteve a suspensão do uso de veículos e motoristas oficiais, mas autorizou a continuidade da equipe de segurança, considerando idade, histórico de saúde e risco à dignidade do ex-presidente.

Temer, Sarney e FHC completam a lista

Michel Temer ocupa a terceira posição entre os ex-presidentes que mais gastaram em 2025, com R$ 1,6 milhão. O destaque são as despesas com passagens internacionais, que somaram R$ 208.698, frente a R$ 13.632 em voos domésticos. Temer também liderou os gastos com diárias no exterior, com R$ 193.650.

José Sarney utilizou R$ 1,10 milhão ao longo do ano. Já Fernando Henrique Cardoso registrou o menor volume de despesas, com R$ 981 mil, sendo R$ 6.200 destinados à locação de veículos. FHC foi o único ex-presidente que não utilizou recursos para passagens aéreas ou hospedagem.

*Com informações do O Globo

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