Economia

Exportadores consideram alta do dólar especulativa

Associação de Comércio Exterior do Brasil reconhece que valorização da moeda americana tem pontos positivos para o setor

A Associação de Comércio Exterior do Brasil espera que o câmbio se normalize sem crise (Silvio Avila/VEJA)

A Associação de Comércio Exterior do Brasil espera que o câmbio se normalize sem crise (Silvio Avila/VEJA)

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Da Redação

Publicado em 22 de setembro de 2011 às 20h43.

Rio de Janeiro – O setor exportador considerou a subida do dólar muito rápida para ser considerada técnica, embora tenha avaliado como positiva a atual escalada da moeda norte-americana. A avaliação foi feita hoje (22), à Agência Brasil, pelo vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Para ele, a alta pode ser considerada inclusive especulativa.

“Ao mesmo tempo em que a gente fica feliz, porque é uma recuperação da taxa de câmbio que, se mantiver esse nível de faixa, vai permitir que as exportações de manufaturados voltem a ter um crescimento, é uma subida de pura especulação, em função de uma crise. E crise nunca é bom. Assim como ela faz a taxa de câmbio subir, ela faz os mercados diminuírem”, disse.

Segundo o vice-presidente da AEB, o que se quer é uma elevação da taxa de câmbio, mas sem crise. Ele observou ainda que os exportadores de commodities – produtos agrícolas e minerais comercializados no exterior – serão os principais beneficiados pela alta do dólar, que atingiu 17% em uma semana. “Eles vão ter um ganho a mais porque já havia um preço alto. A cotação das commodities hoje está muito elevada. Com essa taxa de câmbio, ele [exportador] passa a ganhar duas vezes. Ganha no preço do produto e na taxa de câmbio”.

A preocupação da AEB é com os produtos manufaturados. “Esses, sim, necessitam de uma taxa de câmbio mais alta para terem competitividade no mercado internacional”. Castro declarou que, por enquanto, há a expectativa de que o crescimento dos manufaturados possa voltar. “De qualquer jeito, é um alento o fato de ter uma taxa de câmbio mais alta”. Ele observou, porém, que as empresas exportadoras não vão utilizar a taxa atual até que se verifique que a taxa está em um patamar de estabilização.

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