Economia

Escala 5x2 é viável desde que tenha desoneração, diz presidente da Abras

Em entrevista à EXAME, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), diz que fim da escala 6x1 pode ser absorvida pelas empresas, mas exige compensações

Supermercado: a inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou para 0,09% em outubro, após registrar 0,48% em setembro, segundo o IBGE. (Leandro Fonseca/Exame)

Supermercado: a inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou para 0,09% em outubro, após registrar 0,48% em setembro, segundo o IBGE. (Leandro Fonseca/Exame)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 25 de março de 2026 às 06h00.

Última atualização em 25 de março de 2026 às 06h47.

A adoção da escala 5x2 no setor de supermercados é possível, desde que acompanhada de medidas de compensação, como a desoneração da folha de pagamento. Essa é a tese que defende o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi.

Segundo ele, a mudança pode ser absorvida pelas empresas, mas exige compensações para evitar aumento de custos.

“Manter as 44 horas e avançar no 5x2 é viável, mas é de suma importância ter uma compensação financeira por meio da redução de impostos sobre a folha”, afirma à EXAME.

O tema ganhou força com a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, em discussão no Congresso.

Como mostrou a EXAME, outros setores também veem a desoneração como alternativa para compensar o impacto da mudança. Representantes de bares, restaurantes e shopping centers apontam risco de aumento de custos e pressão sobre preços.

No caso dos supermercados, Galassi afirma que o principal desafio está na estrutura operacional, especialmente em empresas menores.

“O maior problema está no pequeno. Em muitos casos, há apenas três funcionários por setor, como açougue ou padaria, o que dificulta montar escalas sem afetar o funcionamento”, diz.

Segundo ele, a necessidade de manter lojas abertas todos os dias torna a adaptação mais complexa, já que diferentes áreas exigem profissionais específicos e não intercambiáveis.

O dirigente também defende que a discussão leve em conta as particularidades de cada setor da economia.

“Precisamos separar os tipos de atividade e entender as necessidades do consumidor”, afirma.

O setor também enfrenta escassez de mão de obra. Atualmente, segundo a Abras, há cerca de 350 mil vagas abertas no país.

Setor defende contratação por hora como alternativa

Além da desoneração, a entidade propõe mudanças no modelo de contratação. Para Galassi, o regime por hora trabalhada pode oferecer mais flexibilidade para empresas e trabalhadores.

"O modelo por hora permite que o colaborador e a empresa definam juntos a jornada semanal, o que traz mais flexibilidade e atende diferentes necessidades”, diz.

Segundo ele, o formato permitiria ajustar a carga de trabalho de acordo com a realidade de cada funcionário, além de tornar o setor mais competitivo frente a outras formas de ocupação, como aplicativos de transporte e entrega.

O presidente da Abras articula a inclusão desse debate no Congresso. A entidade, em conjunto com outras organizações do comércio e serviços, levou o tema ao presidente da Câmara, Hugo Motta, com o objetivo de ampliar a discussão sobre jornada de trabalho.

“Uma coisa é discutir o tamanho da jornada. Outra é discutir o formato de contratação. As duas agendas podem avançar juntas”, afirma.

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